'Bolsa Família escravizou o preguiçoso', diz vice-presidente do Vila Nova ao criticar restrições às bets

Hugo Jorge Bravo classificou possível endurecimento contra as casas de apostas como “medida eleitoreira” e afirmou que o Vila Nova pode perder 20% da arrecadação

Publicado em 22 de setembro de 2026 às 16:09

Hugo Jorge Bravo classificou possível endurecimento contra as casas de apostas como “medida eleitoreira” e afirmou que o Vila Nova pode perder 20% da arrecadação
Hugo Jorge Bravo classificou possível endurecimento contra as casas de apostas como “medida eleitoreira” e afirmou que o Vila Nova pode perder 20% da arrecadação Crédito: Redes Sociais

Após a vitória do Vila Nova sobre o América-MG, na última sexta-feira (18), o vice-presidente financeiro do clube, Hugo Jorge Bravo, criticou a possibilidade de novas restrições às casas de apostas no Brasil. O dirigente classificou a discussão como uma “medida eleitoreira”, defendeu a taxação das bets para reduzir possíveis impactos sociais e afirmou que o Vila Nova poderia perder cerca de 20% de sua arrecadação anual caso as receitas ligadas ao setor deixassem de existir.

Durante a declaração, Hugo Bravo também direcionou críticas ao Bolsa Família. Segundo ele, o problema do país estaria relacionado a outros fatores e não deveria ser atribuído principalmente às apostas.

“O país está fudido por outros fatores e querem colocar na conta da bet. O problema se chama Bolsa Família, que escravizou o preguiçoso. Tem estado do país que tem mais Bolsa Família do que CLT registrada”, afirmou o dirigente.

Apesar de defender a manutenção das casas de apostas, Bravo reconheceu que o setor pode provocar impactos sociais e disse ser favorável à cobrança de impostos sobre as empresas.

“Precisa ter taxação mesmo, para reparar um pouco do dano social que causa. Se eu falar para você que não causa dano social, não é verdade”, declarou.

O dirigente também alertou para a possibilidade de o endurecimento das regras ampliar o mercado clandestino. Na avaliação dele, uma restrição severa às plataformas regulamentadas poderia abrir espaço para sites ilegais.

“Você vai abrir espaço para o jogo ilegal, para as plataformas ilegais”, afirmou.

Hugo Bravo também falou sobre o impacto financeiro que uma eventual saída das bets do mercado poderia provocar no futebol. Segundo o dirigente, as receitas relacionadas às casas de apostas representam aproximadamente 20% da arrecadação anual do Vila Nova.

A discussão acontece em um momento de debate sobre o futuro das apostas on-line no Brasil. O governo federal avalia medidas mais rígidas para o setor, enquanto clubes defendem a manutenção de um mercado regulamentado e apontam a importância das receitas provenientes de patrocínios e outros contratos comerciais.

Quem é Hugo Bravo

Além da atuação no futebol, Hugo Jorge Bravo é tenente-coronel da Polícia Militar de Goiás. Ele assumiu o comando da Rotam em 28 de agosto, substituindo o coronel Brayan Stive, que foi promovido e passou a comandar a estrutura regional da PM em Águas Lindas.

Bravo presidiu o Vila Nova entre 2019 e 2025 e, depois de deixar a presidência, permaneceu na diretoria como vice-presidente financeiro. Na Polícia Militar, ingressou em 2010 e também passou por unidades especializadas, incluindo o Comando de Operações de Divisas (COD).