Publicado em 25 de setembro de 2026 às 23:25
Quatorze equipes da elite do futebol brasileiro mantêm acordos com casas de apostas; valores somados chegam a centenas de milhões de reais. Medida Provisória assinada nesta sexta-feira (25), proíbe a atividade no país.>
As casas de apostas se tornaram uma das principais fontes de patrocínio do futebol brasileiro. Em 2026, 14 dos 20 clubes da Série A do Campeonato Brasileiro mantêm contratos com empresas do setor, segundo levantamentos divulgados nesta semana. Entre os maiores acordos estão os do Flamengo, Corinthians, Palmeiras e São Paulo, com valores que chegam a dezenas ou centenas de milhões de reais por temporada.>
Os valores conhecidos dos principais contratos somam cerca de R$ 910 milhões, sem considerar acordos cujos montantes não foram divulgados, como a parceria recentemente anunciada entre o Grêmio e a casa de apostas Pitaco. Em 2025, as bets responderam por R$ 1,03 bilhão dos R$ 3,069 bilhões arrecadados em patrocínios pelos clubes da elite, aproximadamente um terço das receitas comerciais da Série A.>
O cenário, no entanto, mudou nesta sexta-feira (25). O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou a Medida Provisória nº 1.394, que proíbe a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade das chamadas apostas de quota fixa em todo o território nacional. A medida abrange tanto as apostas esportivas quanto os jogos on-line, inclusive quando oferecidos por empresas sediadas no exterior a pessoas localizadas no Brasil.>
Impacto financeiro imediato>
Com a publicação da MP, os contratos de patrocínio entre clubes e casas de apostas passam a enfrentar um novo cenário jurídico e comercial. Várias empresas do setor já haviam notificado as equipes sobre a possibilidade de revisão ou rescisão dos acordos caso a atividade fosse proibida, com base em cláusulas de força maior comuns nesse tipo de contrato.>
Ainda não está definido como cada clube irá lidar com os contratos vigentes e com a perda dos recursos. O governo federal já vinha discutindo medidas de apoio aos times, incluindo alternativas de crédito e renegociação de dívidas, mas detalhes concretos ainda não foram anunciados.>
Cronograma da proibição>
A partir da publicação da MP, novos aportes nas plataformas ficam vedados. Os apostadores poderão retirar os valores mantidos nas contas até as 23h59 do dia 5 de outubro. A partir de 6 de outubro, sites e aplicativos deverão sair do ar. Nos dias seguintes, as empresas informarão os saldos por CPF e os bancos realizarão a devolução dos recursos, com a Caixa Econômica Federal atuando como intermediária em casos pendentes.>
A publicidade e as marcas de patrocínio já contratadas também deverão ser retiradas até 5 de outubro. A MP cria ainda o Comitê Interinstitucional de Fiscalização da Exploração e da Publicidade Ilegal de Apostas de Quota Fixa e prevê multas elevadas para provedores de internet, redes sociais e lojas de aplicativos que não removerem o conteúdo.>
Próximos passos>
O peso financeiro das bets no futebol brasileiro cresceu aceleradamente nos últimos anos. Em 2025, o setor injetou mais de R$ 1 bilhão apenas em patrocínios master ou principais na Série A. Flamengo lidera com o maior contrato (cerca de R$ 268,5 milhões anuais da Betano), seguido por Corinthians, São Paulo e Palmeiras.>
A Medida Provisória tem efeito imediato, mas precisa ser aprovada pelo Congresso Nacional em até 120 dias para se tornar lei definitiva. O governo também enviou projeto de lei que tipifica crimes relacionados às apostas de quota fixa, com penas de reclusão de quatro a seis anos para quem explorar, operar ou intermediar a atividade.>
Representantes do setor de apostas já sinalizam possíveis ações judiciais e pedidos de indenização. Do lado dos clubes, a expectativa é de readequação orçamentária e busca por novos patrocinadores em um momento de incerteza sobre o futuro do financiamento do futebol brasileiro.>