Publicado em 24 de setembro de 2026 às 17:26
Nesta quarta-feira (24), clubes das Séries A e B do Campeonato Brasileiro negociam com o Governo Federal a criação de uma linha de crédito do BNDES para ajudar as equipes a enfrentar a crise financeira. A proposta prevê empréstimos com condições mais favoráveis para o pagamento de dívidas e, em discussão paralela, investimentos em infraestrutura. A CBF participa das conversas como articuladora, mas não seria responsável pelo financiamento.>
As negociações acontecem enquanto o Governo Federal avalia mudanças no mercado de apostas. A possibilidade de uma Medida Provisória para restringir parte das atividades das bets preocupa os clubes, que consideram o setor uma importante fonte de receitas publicitárias. O formato da eventual medida, porém, ainda está em discussão.>
A principal proposta em análise é a criação de uma linha de crédito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A ideia é permitir que os clubes tenham acesso a empréstimos com juros inferiores aos praticados normalmente no mercado, com os recursos destinados ao pagamento de dívidas.>
O modelo discutido seria diferente dos programas de recuperação fiscal, conhecidos como Refis, porque não ficaria restrito a débitos tributários. Também está em debate a possibilidade de liberar recursos para obras e melhorias de infraestrutura, o que poderia atender equipes com menor nível de endividamento.>
As conversas são conduzidas principalmente por Corinthians e Internacional, que enfrentam dificuldades financeiras e atualmente estão sob transfer bans da Fifa. Os presidentes Osmar Stabile e Alessandro Barcellos buscaram apoio de Pedro Daniel, atual CEO do Atlético-MG e ex-diretor-executivo da EY. Um estudo elaborado pela consultoria foi usado como base para as discussões com o Ministério do Esporte e a CBF.>
As tratativas começaram no mês passado e ainda não definiram quanto o BNDES poderia disponibilizar nem quais seriam os critérios para os clubes conseguirem acesso ao crédito. A expectativa, segundo as informações divulgadas, é que o assunto avance apenas depois das eleições, cujo segundo turno está marcado para 25 de outubro.>
Um dos argumentos apresentados pelos clubes é que uma eventual redução no mercado de apostas poderia agravar o cenário financeiro das equipes. Os dirigentes temem uma queda nos investimentos das empresas do setor, que atualmente ocupam espaço relevante nos patrocínios do futebol brasileiro.>
Em 17 de setembro, clubes e federações divulgaram um manifesto em defesa do mercado regulado de apostas. No documento, as entidades afirmaram que mudanças bruscas poderiam provocar impactos financeiros no futebol e defenderam fiscalização, prevenção e mecanismos de proteção aos consumidores em vez do fim do mercado regulado.>
O próprio governo ainda não definiu o formato final das possíveis restrições às bets. Por isso, além da discussão sobre o crédito do BNDES, os clubes acompanham as decisões sobre o setor de apostas e os possíveis efeitos sobre seus contratos comerciais.>