Clubes são chamados para reunião com ministros após fim das bets

Encontro no Palácio do Planalto deve discutir impactos da proibição das apostas e proposta de linha de crédito de até R$ 20 bilhões para equipes das Séries A e B.

Publicado em 28 de setembro de 2026 às 13:31

Encontro no Palácio do Planalto deve discutir impactos da proibição das apostas e proposta de linha de crédito de até R$ 20 bilhões para equipes das Séries A e B.
Encontro no Palácio do Planalto deve discutir impactos da proibição das apostas e proposta de linha de crédito de até R$ 20 bilhões para equipes das Séries A e B. Crédito: Reprodução 

Nesta terça-feira (29), clubes e federações de futebol participam de uma reunião com ministros em Brasília para discutir os impactos da Medida Provisória que proibiu as bets no Brasil. O encontro está previsto para a tarde, no Palácio do Planalto, e deve tratar principalmente da criação de uma linha de crédito para ajudar as equipes a reorganizar as finanças. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não deve participar da reunião.

A reunião terá a presença do ministro da Fazenda, Dario Durigan, do Esporte, Paulo Henrique Cordeiro, do Planejamento, Bruno Moretti, e da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira. A proposta em discussão prevê empréstimos com juros abaixo dos praticados no mercado, que poderiam ser usados pelos clubes para renegociar dívidas e, em determinadas condições, investir em infraestrutura.

A possibilidade de uma linha de crédito de até R$ 20 bilhões vem sendo articulada antes mesmo da proibição das bets. Os clubes argumentam que a mudança afeta uma importante fonte de receita do futebol brasileiro, já que as empresas de apostas se tornaram grandes patrocinadoras das equipes.

A ideia é que o financiamento seja concedido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ou pela Caixa Econômica Federal. A proposta apresentada pelos clubes prevê prazos mais longos e juros menores do que os cobrados em operações convencionais.

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) também participa das conversas. Um dos argumentos usados pelos dirigentes para defender o acesso ao crédito é a existência do Fair Play Financeiro, que passou a estabelecer regras de controle e responsabilidade financeira para os clubes.

Segundo a proposta discutida pelos dirigentes, o dinheiro seria direcionado principalmente para a renegociação de dívidas. A ideia é substituir compromissos com juros mais altos e vencimentos próximos por uma dívida de prazo maior e custo menor.

A articulação ganhou força após o governo federal editar, na última sexta-feira (25), uma MP que proibiu a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade das apostas de quota fixa no país. A medida também estabeleceu prazo para que os usuários retirem os valores mantidos nas plataformas.

Antes da reunião em Brasília, a Federação Paulista de Futebol realizou, nesta segunda-feira (28), um encontro com seus clubes filiados para discutir os impactos da decisão e alinhar a atuação das equipes. A entidade participa da articulação em busca de uma resposta conjunta do futebol brasileiro.

O pedido de crédito ainda não foi aprovado pelo governo. Em declaração feita após o anúncio da proibição das bets, Dario Durigan afirmou que o governo primeiro buscaria entender o impacto da medida sobre os clubes e ouvir as demandas do setor antes de definir eventuais ações de apoio.