Corinthians suspende parcela da dívida da Neo Química Arena durante negociação com a Caixa

Clube deixou de pagar cerca de R$ 28 milhões em setembro após receber aval do banco e tenta chegar a um acordo para quitar a dívida do estádio.

Publicado em 1 de outubro de 2026 às 15:30

Clube deixou de pagar cerca de R$ 28 milhões em setembro após receber aval do banco e tenta chegar a um acordo para quitar a dívida do estádio.
Clube deixou de pagar cerca de R$ 28 milhões em setembro após receber aval do banco e tenta chegar a um acordo para quitar a dívida do estádio. Crédito: Reprodução

Nesta terça-feira (30), o Corinthians suspendeu o pagamento da terceira parcela trimestral da dívida pela construção da Neo Química Arena, enquanto negocia com a Caixa Econômica Federal uma possível quitação do estádio. O valor da prestação, vencida em setembro, é de aproximadamente R$ 28 milhões.

Segundo dirigentes do clube, a Caixa deu aval para que o Corinthians não pagasse a parcela neste momento. O Timão já havia quitado as duas primeiras prestações do ano, que somaram cerca de R$ 56 milhões.

Dentro do Corinthians, a ausência de cobrança da terceira parcela é vista como um sinal positivo para as negociações com o banco. A diretoria trabalha para encontrar uma solução que permita encerrar a dívida da Arena, considerada um dos principais problemas financeiros do clube.

Na semana passada, dirigentes corintianos estiveram na sede da Caixa, em Brasília, para tratar do assunto. Durante a reunião, também solicitaram a devolução de R$ 27 milhões mantidos em uma conta reserva prevista no contrato de renegociação da dívida assinado em 2022.

Até o momento, o clube ainda não recebeu uma resposta sobre a devolução do dinheiro. A quantia é considerada importante pela diretoria para ajudar nas despesas do dia a dia em meio à crise financeira.

A dívida da Arena voltou a ganhar força nas discussões internas do Corinthians justamente por causa da situação financeira do clube. O presidente interino Osmar Stabile tem apontado a quitação do estádio como uma das principais prioridades de sua gestão.

A negociação, porém, também é acompanhada com cautela nos bastidores. Parte das pessoas envolvidas no clube vê a possibilidade de acordo com ceticismo, especialmente porque o Corinthians terá eleições para a presidência e o Conselho Deliberativo em 28 de novembro, e Stabile pretende disputar a reeleição.

Apesar das dúvidas, dirigentes corintianos avaliam que a articulação em Brasília tem feito a negociação avançar. A expectativa dentro do clube é que uma possível solução possa ser definida após as eleições gerais do Brasil.

Caso o acordo avance, o Corinthians também estuda alternativas para resolver os compromissos relacionados aos naming rights da Arena. Uma das possibilidades seria oferecer à Hypera Pharma, atual detentora dos direitos de nome de instalações do clube, o naming rights de outros espaços, como o CT Joaquim Grava. A estratégia evitaria o pagamento de uma eventual multa pela rescisão do contrato.

Desde a inauguração da Neo Química Arena, em 2014, o Corinthians já desembolsou cerca de R$ 600 milhões para pagar o financiamento da construção do estádio.

O contrato de renegociação firmado durante a gestão do ex-presidente Duilio Monteiro Alves estabeleceu dezembro de 2041 como prazo para a quitação da dívida. O acordo prevê amortizações crescentes a partir de 2025, além do pagamento de juros desde 2023, com taxa de 2% ao ano acrescida da variação do CDI.

Na prática, o Corinthians pagou apenas os juros em 2023 e 2024 e passou a reduzir o saldo principal da dívida a partir de 2025.

Segundo a diretoria, a dívida da Arena é um dos principais fatores por trás da crise financeira do clube, que possui um endividamento total estimado em cerca de R$ 2,8 bilhões.

No ano passado, o presidente do Conselho Deliberativo, Romeu Tuma Júnior, chegou a sugerir publicamente que o Corinthians deixasse de pagar a dívida com a Caixa para priorizar outros compromissos. Na ocasião, a declaração levou o banco estatal a admitir a possibilidade de uma nova renegociação.