Publicado em 13 de maio de 2026 às 14:45
A contagem regressiva para a Copa do Mundo de 2026 já começou. Pela 23ª vez, a Fifa reunirá a elite do futebol, desta vez cruzando as fronteiras de Estados Unidos, México e Canadá. Mas, enquanto novas histórias começam a ser escritas, as páginas antigas do futebol guardam capítulos curiosos: a existência de seleções que, embora tenham brilhado em campo, hoje não podem mais ser encontradas em nenhum mapa-múndi atual.>
Desde o primeiro torneio em 1930, o mundo passou por revoluções, guerras e acordos diplomáticos que redesenharam fronteiras. Para o futebol, isso significou o fim de potências e o surgimento de novas bandeiras.>
Os Gigantes da Cortina de Ferro>
A geopolítica do século XX foi o principal motor dessas mudanças. Três seleções europeias de peso deixaram um vácuo na história:>
- Iugoslávia (A "Brasil da Europa"): Foram 9 participações em Copas. Conhecida pela técnica refinada, chegou às semifinais logo na primeira edição (1930) e repetiu o feito em 1962. O país se desintegrou nos anos 90, dando origem a nações como Croácia, Sérvia e Eslovênia. Sua última aparição oficial foi em 1998, antes de se tornar brevemente Sérvia e Montenegro em 2006 e, finalmente, se fragmentar de vez.>
- União Soviética (A Potência de Gelo): Entre 1958 e 1990, os soviéticos foram figurinhas carimbadas em 7 Mundiais. Comandados por lendas como o goleiro Lev Yashin, alcançaram o 4º lugar em 1966. Com o fim do bloco em 1991, o território se dividiu em 15 países independentes, incluindo a Rússia e a Ucrânia.>
- Tchecoslováquia (O Vice de 62): Com 8 Copas no currículo, eles foram a pedra no sapato do Brasil na final de 1962. Abrindo o placar naquela decisão, os tchecoslovacos só foram parados pela genialidade de Amarildo e Garrincha. Em 1993, uma separação pacífica deu origem à República Tcheca e à Eslováquia.>
A Alemanha Dividida: Um Duelo de Irmãos>
Após a Segunda Guerra Mundial, a Alemanha foi partida. Enquanto a Alemanha Ocidental colecionava títulos, a Alemanha Oriental teve sua chance de brilhar em 1974. O destino foi irônico: as duas Alemanhas caíram no mesmo grupo. No confronto direto, o lado Oriental venceu por 1 a 0. Foi sua única participação; em 1990, com a queda do Muro de Berlim, o país se reunificou e a seleção "desapareceu" para formar a potência que conhecemos hoje.>
Identidades Transformadas: Da Ásia à África>
Nem todas as seleções sumiram por guerras; algumas apenas trocaram de identidade nacional:>
- Zaire (1974): Foi o pioneiro da África Subsaariana. Em sua única Copa, enfrentou o Brasil de Rivelino e Jairzinho. Embora a seleção tenha sofrido goleadas históricas, ela pavimentou o caminho para o futebol africano. Hoje, o país atende pelo nome de República Democrática do Congo.>
- Índias Orientais Holandesas (1938): A primeira seleção asiática a disputar uma Copa. Na época, o território era uma colônia dos Países Baixos. Após a Segunda Guerra e a expulsão dos colonizadores, o país declarou independência e renasceu como a Indonésia.>
Por que isso importa para 2026?>
Olhar para essas seleções é entender que o futebol é um organismo vivo. Em 2026, veremos 48 seleções em campo, o maior número da história. Muitas dessas "novas" nações, que surgiram das cinzas da Iugoslávia ou da União Soviética, estarão lutando por uma vaga.>
A história das Copas nos ensina que, embora governos caiam e fronteiras mudem, o registro do gol, a súmula do árbitro e a memória do torcedor são imunes ao tempo. O mapa pode mudar, mas o grito de gol é eterno.>