Publicado em 14 de setembro de 2026 às 09:12
O Paysandu decidiu mudar o comando técnico na reta decisiva da Série C do Campeonato Brasileiro. Júnior Rocha foi demitido neste domingo (13), pouco depois da derrota por 1 a 0 para a Ferroviária, na Arena Fonte Luminosa, em Araraquara. O auxiliar Elton Macaé também deixa o clube.>
A decisão foi anunciada pelo executivo de futebol Marcelo Sant’Ana, que explicou os motivos da diretoria para promover a mudança faltando quatro partidas para o fim do quadrangular. Segundo o dirigente, o clube avaliou o momento vivido pela equipe e concluiu que uma alteração no comando poderia ajudar a modificar o ambiente e aumentar as possibilidades de reação na reta final.>
Sant’Ana fez questão de reconhecer o trabalho realizado por Júnior Rocha desde o fim de novembro. Ao todo, o treinador comandou o Paysandu em 43 jogos, conquistou três títulos e levou a equipe à fase decisiva da Série C.>
“Júnior, que comandou o nosso clube em 43 partidas, nos deu a alegria de três títulos dentro dessa temporada, Copa Estadual, Copa Norte, Copa Verde, uma classificação para a fase final da Série C, mas vivemos um novo período de oscilação”, afirmou o executivo.>
Apesar da política de continuidade defendida pela diretoria, Sant’Ana explicou que o momento exigiu uma decisão diferente. “O clube é sempre defensor de um trabalho de continuidade. A gente tentou essa continuidade, mas nesse momento do campeonato, o entendimento coletivo é que a mudança era necessária”, declarou.>
O Paysandu perdeu os dois primeiros jogos do quadrangular e ainda não somou pontos. Para o dirigente, a situação exige uma resposta rápida, principalmente porque restam apenas quatro partidas para tentar recuperar a pontuação necessária para brigar pelo acesso à Série B de 2027.>
A diretoria já iniciou a avaliação de possíveis substitutos. A prioridade é contratar um treinador que esteja atualmente sem clube e possa assumir o trabalho o mais rápido possível. “A tendência é que a gente busque, claro, um treinador que não esteja em outra equipe agora, que a gente precisa o quanto antes ter esse novo profissional trabalhando com a gente em Belém”, explicou Sant’Ana.>
Durante o período de transição, o auxiliar permanente Inácio Neto ficará à disposição da equipe. Mesmo assim, o dirigente reforçou que a intenção principal é anunciar um novo comandante. “A prioridade é a contratação de um novo treinador”, afirmou.>
Questionado sobre a participação dos jogadores no momento ruim, Sant’Ana evitou concentrar a responsabilidade exclusivamente em Júnior Rocha. Para ele, todos os setores do futebol bicolor precisam assumir sua parcela de culpa.>
“A responsabilidade, Dinho, é de todos. É minha enquanto executivo de futebol, da comissão técnica também, dos atletas”, disse.>
O dirigente também pediu união entre os diferentes setores do clube para tentar reverter a situação. Segundo ele, não é o momento de buscar culpados, mas de concentrar esforços na tentativa de alcançar o acesso.>
“Não adianta a gente querer se eximir de responsabilidade, apontar mais para um, para o outro. A gente tem que buscar aparar qualquer aresta que tenha por esse sonho do acesso”, afirmou.>
Mesmo reconhecendo a dificuldade da missão, Sant’Ana destacou que o Paysandu ainda possui possibilidades matemáticas de classificação. O executivo citou exemplos de equipes que conseguiram reagir após começos ruins em fases decisivas da Série C.>
“O que o Paysandu vai buscar nessa reta final não é algo inédito, que nunca aconteceu nesse formato da competição. Claro que é muito difícil, muito difícil”, reconheceu.>
Na avaliação do dirigente, o equilíbrio dos confrontos também mantém a disputa aberta. Até agora, nenhum jogo do quadrangular terminou com diferença superior a um gol.>
“Os jogos são muito parelhos nesse quadrangular final. Você pode ver que até agora não teve nenhum placar com dois gols de diferença no quadrangular final. É 2 a 1, é 1 a 0, é empate de 3 a 3. Então, são jogos altamente equilibrados. Qualquer detalhe pode ser decisivo”, analisou.>
Foi justamente a necessidade de encontrar esse diferencial que pesou na decisão de trocar o treinador. “É em busca desse detalhe que a gente faz essa mudança do comando técnico”, explicou.>
Sant’Ana reconheceu que a escolha pela demissão neste momento aumenta a responsabilidade da diretoria, mas afirmou que o clube precisa trabalhar dentro das possibilidades existentes. O executivo também assumiu parte da responsabilidade pela situação.>
“Eu sou o primeiro responsável como executivo de futebol do Paysandu. A gente sabe a pressão e a responsabilidade que é trabalhar no Paysandu, a grandeza do clube”, declarou.>
Júnior Rocha chegou perto de alcançar uma marca rara no clube. Segundo Sant’Ana, caso permanecesse até o encerramento da temporada, o treinador poderia ter sido apenas o segundo comandante dos últimos 15 anos a iniciar e terminar o ano à frente do Paysandu.>
“Se o Júnior tivesse conseguido continuar até o final da temporada, seria talvez o segundo técnico dos últimos quinze anos a conseguir iniciar um trabalho e terminar um trabalho no Paysandu”, afirmou.>
Apesar disso, a diretoria avaliou que a sequência negativa tornou necessária uma intervenção. O objetivo agora é aproveitar as quatro partidas restantes para tentar recuperar o time na disputa pelo acesso à Série B.>
“Buscar fazer o que, dentro do nosso alcance, ainda é possível ser feito para que a gente busque esse acesso a uma série de campeonatos brasileiros”, completou.>
O dirigente também negou que a demissão tenha sido tomada apenas pelo impacto emocional da derrota para a Ferroviária. Segundo ele, a decisão levou em consideração todo o contexto da equipe e as alternativas disponíveis no mercado.>
“Não é a situação ideal. Agora, você tem que trabalhar dentro do contexto das possibilidades que você tem para buscar atingir o seu objetivo”, afirmou.>
Sant’Ana lembrou ainda que o Paysandu já conseguiu superar um momento de instabilidade durante a primeira fase da Série C e garantir presença no quadrangular. Agora, a equipe precisa repetir a capacidade de reação em uma etapa ainda mais decisiva.>
“A gente conseguiu se reorganizar, buscamos a nossa vaga na fase final. Agora, iniciamos a fase final de uma maneira muito difícil e o entendimento, nesse momento, foi pela mudança do comando técnico”, explicou.>
A mudança também tem como objetivo mexer com o ambiente emocional do elenco e da torcida. “Vamos agora buscar, nessa mexida, fazer a diferença nesses quatro jogos. A gente sabe como é a cultura do Brasil também e vamos buscar mexer com o anímico dos jogadores, o anímico da torcida”, afirmou.>
O executivo ainda destacou que uma campanha entre sete e dez pontos nas quatro rodadas finais pode aumentar significativamente as chances de acesso. Para ele, a matemática ainda permite que o Paysandu sonhe com a classificação.>
“A gente sabe que nove, dez é uma pontuação onde você passa a ter mais chances de acesso do que probabilidade de insucesso. Então, a gente tem, dentro da matemática, essa possibilidade ainda”, disse.>
O Paysandu terá dois jogos como mandante e dois como visitante nas quatro rodadas restantes do quadrangular. Enquanto procura um substituto para Júnior Rocha, a diretoria bicolor trabalha contra o tempo para tentar reorganizar a equipe e manter vivo o sonho do acesso à Série B de 2027.>