Fifa multa Espanha por cânticos xenofóbicos em amistoso contra o Egito

Torcida cantou ofensas religiosas e vaiou hino adversário em amistoso

Publicado em 16 de outubro de 2026 às 14:57

Espanha x Egito no amistoso no Estádio RCDE, em Barcelona, durante partida preparatória para a Copa do Mundo de 2026.
Espanha x Egito no amistoso no Estádio RCDE, em Barcelona, durante partida preparatória para a Copa do Mundo de 2026. Crédito: Reprodução/RFEF

A Fifa aplicou punição à Federação Espanhola em razão de manifestações e gritos xenofóbicos proferidos contra a seleção do Egito durante um amistoso preparatório. A entidade máxima do futebol determinou o pagamento de uma multa de 20 mil dólares (cerca de R$ 101 mil) e a interdição parcial da arquibancada no próximo jogo amistoso em que a Espanha atuar como mandante. A decisão disciplinar havia sido proferida em agosto, mas veio a público somente após a recusa definitiva do recurso apresentado pelos espanhóis.

Os episódios discriminatórios ocorreram no dia 31 de março no Estádio RCDE, em Barcelona, durante partida preparatória para a Copa do Mundo de 2026 que terminou empatada em 0 a 0. Antes do início do confronto, parte dos torcedores presentes vaiou a execução do hino nacional egípcio. Durante o andamento da partida, setores da arquibancada passaram a entoar cânticos preconceituosos com frases como "quem não pular é muçulmano".

A gravidade dos cânticos motivou o acionamento do protocolo de racismo, levando o sistema de alto-falantes do estádio a emitir advertências para que as manifestações fossem interrompidas imediatamente. Os fatos foram registrados na súmula pelo árbitro, ensejando a abertura formal de processo investigativo pela Fifa.

A postura hostil das arquibancadas gerou ampla repercussão internacional e foi alvo de repúdio público por parte do atacante Lamine Yamal, que esteve em campo pela Espanha e é muçulmano.

Em publicação nas redes sociais, o atleta condenou as manifestações intolerantes da torcida:

"Ontem no estádio se escutou o canto de que 'Quem não pular é muçulmano'. Sei que era contra o time rival e não era pessoal contra mim, mas, como pessoa muçulmana, não deixa de ser uma falta de respeito e algo intolerável. Entendo que nem toda a torcida é assim, mas, aos que cantam essas coisas: usar uma religião como provocação em campo os torna pessoas ignorantes e racistas".