Publicado em 6 de fevereiro de 2026 às 07:41
O Ministério Público do Paraná (MP-PR) apresentou denúncia contra o empresário Igor Freitas, filho do ex-boxeador Acelino “Popó” Freitas, além do sócio Rodrigo Rossi e de Raphael Ribeiro, por suspeita de envolvimento em um esquema de tentativa de aliciamento de jogadores para manipulação de partidas nas três principais divisões do Campeonato Brasileiro.>
Os três investigados são alvos da Operação Derby, deflagrada em setembro de 2025. As apurações começaram após a suspeita de oferta de R$ 15 mil a pelo menos três atletas do Londrina para que recebessem cartão amarelo em uma partida da Série C do ano passado.>
Segundo a investigação, Igor Freitas entrava em contato com jogadores por meio do Instagram e do WhatsApp, se apresentando como empresário e filho de Popó, com suposto acesso a grandes empresas do mercado nacional e atuação em negociações de patrocínios. Em seguida, ele repassava os contatos para Rodrigo Rossi, que daria continuidade às conversas. Em mensagens, Freitas teria descrito o sócio como alguém com ligação com mais de 25 casas de apostas legalizadas no país.>
Entre os jogadores abordados estaria o lateral-esquerdo Reinaldo, atualmente no Mirassol. De acordo com a denúncia, em agosto de 2025 ele teria sido procurado por Rodrigo Rossi por meio de mensagens e áudios no WhatsApp. O atleta recusou a proposta, afirmando que não participaria de qualquer esquema.>
As investigações também indicam tentativas de abordagem a jogadores de clubes das Séries B e C do Brasileirão. Em uma das conversas interceptadas, Raphael Ribeiro teria orientado Rossi a avançar em negociações envolvendo atletas de Goiás e Sport.>
Ainda conforme o MP-PR, os suspeitos chegaram a discutir valores entre si, e há indícios de que o dinheiro utilizado poderia ter origem em atividades ilícitas ligadas à manipulação de resultados e lucros em apostas esportivas.>
Durante a operação, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), núcleo de Londrina, cumpriu mandados de busca e apreensão nas cidades de Salvador (BA) e Itapema (SC), com apoio das forças de segurança locais. Ao todo, foram executados quatro mandados de busca e apreensão e dois de busca pessoal.>
Igor Freitas, Rodrigo Rossi e Raphael Ribeiro foram denunciados pelos crimes de associação criminosa, prevista no artigo 288 do Código Penal, e corrupção em âmbito esportivo, conforme a Lei Geral do Esporte (Lei nº 14.597/2023). As penas podem variar de dois a seis anos de prisão, além de multa.>
O Ministério Público também solicitou à Justiça o pagamento de indenização por dano moral coletivo no valor de R$ 150 mil, como forma de reparação pelos prejuízos causados à integridade e à credibilidade das competições esportivas.>