Flamengo pode ir à final da Libertadores após ação contra o Estudiantes? Entenda o caso

Rubro-Negro questiona a escalação de Marcos Rojo na semifinal e pede decisão antes da final contra o Palmeiras.

Publicado em 27 de outubro de 2026 às 11:19

Marcos Rojo lamenta chance perdida em Flamengo x Estudiantes -
Marcos Rojo lamenta chance perdida em Flamengo x Estudiantes - Crédito: Buda Mendes/Getty Images

O Flamengo ainda tenta reverter nos tribunais a eliminação para o Estudiantes e manter viva a possibilidade de disputar a final da Copa Libertadores de 2026. O clube carioca acionou a Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) após contestar a participação do zagueiro Marcos Rojo no jogo de volta da semifinal, disputado no Maracanã, em 22 de outubro.

A discussão ganhou força após a divulgação de um documento do Tribunal Arbitral do Esporte (CAS, na sigla em inglês), que autorizou provisoriamente o defensor a atuar pelo clube argentino, mas rejeitou um pedido para impedir antecipadamente eventuais sanções esportivas ou disciplinares. O texto mantém aberta a discussão sobre a regularidade da inscrição do jogador, mas não determina a eliminação do Estudiantes nem garante a classificação do Flamengo à final.

Documento do CAS que autorizou Marcos Rojo a jogar no Flamengo x Estudiantes —
Documento do CAS que autorizou Marcos Rojo a jogar no Flamengo x Estudiantes — Crédito: Foto: Reprodução

O caso envolve a interpretação das regras de inscrição de atletas na Libertadores, a validade da autorização concedida pelo CAS e a possibilidade de aplicação de uma punição após o julgamento definitivo. A final está prevista para 28 de novembro, contra o Palmeiras, e o Flamengo busca uma definição antes da decisão.

Por que a escalação de Marcos Rojo virou motivo de disputa?

A polêmica começou após o Estudiantes tentar inscrever Marcos Rojo para a semifinal da Libertadores. O defensor havia sido contratado depois do encerramento da janela de transferências argentina, em 2 de setembro, e disputou partidas oficiais pelo Racing até 27 de setembro.

Em 9 de outubro, o Estudiantes solicitou à Conmebol a inclusão do jogador na lista da competição, como substituto de um atleta lesionado. A entidade consultou a FIFA e rejeitou o pedido em 14 de outubro, mantendo a decisão no dia seguinte.

Diante das negativas, o clube argentino recorreu ao CAS para obter autorização para utilizar Rojo no confronto de volta contra o Flamengo. Em 21 de outubro, véspera da partida, o tribunal concedeu uma medida cautelar que permitiu a participação do defensor. Rojo foi titular no Maracanã e deixou o campo aos 30 minutos do segundo tempo.

O que diz o documento do CAS?

O ponto central da decisão é que a autorização para Rojo jogar foi 'provisória'. Ao analisar o pedido urgente, o tribunal considerou que o interesse do atleta em participar de uma partida de grande relevância esportiva justificava a medida cautelar naquele momento.

Entretanto, o CAS rejeitou o pedido do Estudiantes para garantir que a utilização do jogador não pudesse servir de fundamento para uma futura sanção esportiva ou disciplinar.

O documento esclarece que essa rejeição não significa que uma punição seja necessariamente cabível. Segundo a decisão, não seria adequado antecipar um julgamento sobre uma sanção hipotética, que ainda não havia sido aplicada e poderia nem vir a ocorrer. O texto também atribui ao clube argentino e ao jogador a avaliação dos riscos caso a decisão final não confirme a elegibilidade de Rojo.

Em outras palavras, o CAS permitiu que o defensor atuasse enquanto o processo era analisado, mas não concedeu ao Estudiantes imunidade contra eventuais consequências futuras.

Flamengo se manifestou antes da semifinal

O Flamengo afirma que não iniciou o processo no CAS. Segundo nota oficial divulgada pelo clube, foi o próprio Estudiantes que recorreu ao tribunal e incluiu o time brasileiro entre as partes envolvidas na disputa.

Em 21 de outubro, antes do jogo de volta, o Rubro-Negro apresentou uma manifestação contrária à escalação de Rojo. O clube pediu que a autorização provisória fosse revogada ou, alternativamente, que ficasse registrado que a participação do atleta ocorreria por conta e risco do Estudiantes, sem prejuízo do direito de contestar a escalação.

No documento, o Flamengo também solicitou que o procedimento tivesse tramitação acelerada, com uma decisão antes da final da Libertadores. Após a partida, o clube formalizou uma reclamação à Conmebol, dentro do prazo previsto no Código Disciplinar da entidade, e passou a buscar uma solução que possa alterar o desfecho da semifinal.

Flamengo pede vitória por 3 a 0

O argumento do clube carioca é que a inscrição de Rojo havia sido rejeitada pela Conmebol e que a autorização provisória do CAS não deveria impedir a aplicação das regras disciplinares da competição.

O artigo 19 do Código Disciplinar da Conmebol prevê, em casos de escalação indevida, a derrota por 3 a 0 para a equipe considerada responsável pela irregularidade. É com base nessa possibilidade que o Flamengo tenta obter uma mudança no resultado do confronto.

O Rubro-Negro também cita o precedente envolvendo o Santos na Libertadores de 2018. Na ocasião, o clube paulista teve um empate por 0 a 0 contra o Independiente transformado em derrota por 3 a 0 após a escalação irregular do meia Carlos Sánchez. O caso, porém, não significa que a situação atual terá necessariamente o mesmo desfecho: as circunstâncias jurídicas e a existência de uma autorização provisória para Rojo são elementos importantes na análise.

O Estudiantes pode perder a vaga na final?

Essa é a principal dúvida em torno do caso, mas ainda não há uma resposta definitiva.

O primeiro ponto a ser resolvido é a elegibilidade de Rojo, questão que continua em discussão no CAS. Caso a inscrição seja considerada irregular, caberá à instância competente da Conmebol avaliar se houve infração e qual consequência esportiva seria aplicável.

O Flamengo sustenta que a punição pode resultar na alteração do placar para 3 a 0, o que mudaria o desfecho da semifinal. Por outro lado, uma interpretação jurídica mencionada pelo UOL considera que a autorização cautelar pode dificultar uma punição retroativa pela participação do jogador justamente na partida para a qual recebeu permissão provisória. Essa leitura, contudo, não representa uma decisão oficial do tribunal.

Portanto, a possibilidade de o Flamengo chegar à final existe no campo jurídico, mas depende de decisões ainda pendentes. A divulgação do documento não significa que a vaga do Estudiantes tenha sido retirada ou que o Rubro-Negro esteja classificado.

Qual é a situação atual?

Até esta terça-feira (27), o cenário é o seguinte:

- Flamengo: apresentou reclamação à Conmebol e quer uma decisão antes da final.

- Estudiantes: conseguiu autorização provisória para escalar Marcos Rojo, mas não recebeu garantia de que estará livre de eventuais sanções.

- CAS: ainda precisa definir a questão de fundo sobre a elegibilidade do jogador; segundo o UOL, o processo segue em andamento e ainda não possui audiência marcada.

- Conmebol: poderá ter de analisar as consequências disciplinares caso a irregularidade seja confirmada.

- Final da Libertadores: segue prevista para 28 de novembro, entre Palmeiras e o adversário que for oficialmente confirmado pelas instâncias competentes.

O técnico do Flamengo, Leonardo Jardim, afirmou que considera possível o clube disputar a final, mas evitou entrar em detalhes sobre a disputa jurídica, que está sob responsabilidade do departamento jurídico rubro-negro.

Por enquanto, a torcida flamenguista acompanha uma disputa que pode ter consequências importantes para a Libertadores. A questão central, no entanto, permanece sem solução: a autorização provisória de Rojo não encerrou o processo, mas também não significa que o Estudiantes será punido. A eventual ida do Flamengo à final depende de uma decisão oficial - e ainda não foi confirmada.

Texto por Pedro Moraes.