Mazola Júnior crítica estrutura de estádio em Brusque após risco aos torcedores do Paysandu

Técnico questionou a liberação da Arena Simon para uma partida decisiva e cobrou responsabilidade após problemas na arquibancada visitante.

Publicado em 12 de outubro de 2026 às 08:49

Mazola Júnior - técnico
Mazola Júnior - técnico Crédito: Foto: Jorge Luís Totti/Paysandu

O técnico Mazola Júnior criticou duramente as condições estruturais da Arena Simon, em Brusque (SC), após os problemas de segurança que provocaram a paralisação do confronto entre Brusque e Paysandu, pela última rodada do quadrangular da Série C do Campeonato Brasileiro. O treinador classificou o episódio como um dos maiores absurdos que já presenciou no futebol e questionou a autorização para a realização da partida no estádio.

O confronto começou no sábado (10), mas foi interrompido ainda no primeiro tempo, quando o Paysandu vencia por 1 a 0, com gol de Ítalo. A paralisação ocorreu após alertas sobre a movimentação de uma estrutura metálica na arquibancada destinada à torcida bicolor e de uma torre utilizada por um profissional responsável pela captação de imagens para a transmissão e o VAR.

Após vistoria dos órgãos de segurança, a partida foi suspensa e retomada no domingo (11), com portões fechados. O resultado final foi empate em 1 a 1, que confirmou a permanência do Paysandu na Série C em 2027.

Mazola questiona liberação do estádio

Na entrevista após a partida, Mazola demonstrou indignação com as condições encontradas na praça esportiva e cobrou explicações sobre a vistoria que permitiu a realização de um confronto decisivo.

“Foi o maior absurdo que vi em 52 anos de futebol e em 25 anos como treinador. Já trabalhei em seis países e em mais de 30 cidades do mundo e nunca vi nada parecido”, declarou.

O treinador também direcionou críticas à responsabilidade pela liberação do estádio.

“A única pergunta que faço é: quem, na vistoria da CBF, autorizou que um jogo dessa magnitude fosse realizado neste estádio? Esse cidadão é um irresponsável pelo que poderia ter sido uma tragédia”, afirmou.

Problemas na arquibancada provocaram paralisação

De acordo com informações publicadas, torcedores do Paysandu relataram problemas na estrutura do setor visitante antes da interrupção. A situação se agravou nos acréscimos do primeiro tempo, quando representantes dos órgãos de segurança pública e o delegado da partida alertaram a arbitragem sobre o risco envolvendo a torre instalada na arquibancada.

O presidente do Paysandu, Márcio Tuma, também criticou as condições oferecidas aos torcedores e afirmou que a segurança do setor visitante estava comprometida. O clube solicitou à Confederação Brasileira de Futebol (CBF) documentos e esclarecimentos oficiais, incluindo laudos de segurança e registros relacionados à realização da partida.

Em posicionamento divulgado após o ocorrido, o Brusque afirmou que o estádio possuía as autorizações exigidas e que os danos estruturais estavam sendo apurados. O clube catarinense também alegou que a ocupação do setor visitante estava com a capacidade destinada com a quantidade de ingressos comercializados. As circunstâncias seguem sujeitas à apuração das autoridades competentes.

Paysandu encerra campanha sem acesso

Dentro de campo, o Paysandu não conseguiu sustentar a vantagem construída por Ítalo e sofreu o empate com Jeferson. Mesmo criando oportunidades na etapa final, a equipe paraense não marcou o gol necessário para continuar na disputa pelo acesso à Série B de 2027.

Após o resultado, Mazola voltou a cobrar mudanças no clube e afirmou que o Paysandu precisa buscar estabilidade esportiva para evitar novas oscilações entre as divisões nacionais.

“O Paysandu não pode estar na Série C do Brasileiro. Essa moleza de sobe e desce não pode acontecer. Alguma coisa tem que ser diferente, tem que mudar. O Paysandu precisa se estabilizar na Série A do Brasileiro”, declarou.

A eliminação encerra a tentativa bicolor de retornar à Série B na temporada de 2027 e aumenta a pressão por uma reorganização do planejamento esportivo para o próximo ano.

Texto por Pedro Moraes.