Publicado em 12 de outubro de 2026 às 11:59
A frustração marcou a entrevista coletiva de Mazola Júnior após o Paysandu empatar em 1 a 1 com o Brusque, neste domingo (11), em Santa Catarina. O resultado encerrou a participação do time paraense na Série C do Campeonato Brasileiro sem a conquista do acesso à segunda divisão. Emocionado, o treinador lamentou o desfecho da campanha, elogiou a postura dos jogadores nos quatro jogos sob seu comando e cobrou mudanças para que o clube evite novos ciclos de acesso e rebaixamento.>
“Eu estou com um sentimento, parece que estou com uma facada no meio do peito”, declarou o técnico ao falar sobre a perda da oportunidade de voltar à Série B.>
Antes de comentar o desempenho das equipes, Mazola voltou a abordar a interrupção da partida no sábado (10), motivada por questionamentos sobre as condições de segurança do setor destinado à torcida visitante no estádio, incluindo a estrutura utilizada pela equipe de transmissão. Para ele, o episódio precisa ser investigado, e o departamento jurídico do Paysandu deverá avaliar as medidas cabíveis.>
“Eu sou funcionário do clube e, como funcionário, tenho que cumprir as ordens que me foram passadas pela diretoria. Agora é com o jurídico do Paysandu, porque ontem foram infringidas muitas regras do regulamento da competição”, afirmou.>
O treinador classificou a situação como grave e defendeu que o caso não seja ignorado pelas autoridades responsáveis. “Aquela cena que aconteceu aqui ontem, uma pré-tragédia, que ainda tinha alguns que queriam que o jogo continuasse, aquilo não pode passar em branco”, disse.>
Ao ser questionado sobre quais normas teriam sido desrespeitadas, Mazola evitou antecipar conclusões e deixou a análise nas mãos dos responsáveis jurídicos do clube. Ele também mencionou ter recebido informações sobre possíveis irregularidades no confronto entre Ferroviária e Inter de Limeira, disputado em Araraquara.>
Sobre o empate com o Brusque, o comandante avaliou que o Paysandu conseguiu executar o planejamento preparado durante os treinamentos e apresentou um desempenho satisfatório. Na análise dele, a equipe criou chances para ampliar o placar, mas não aproveitou as oportunidades que poderiam garantir a vitória.>
“O Papão fez exatamente tudo o que foi treinado, tudo o que foi pedido. Eu acho que nós tivemos um comportamento aqui sensacional, fantástico”, avaliou.>
Apesar dos elogios, Mazola reconheceu que o time voltou a apresentar dificuldades na conclusão das jogadas, principalmente nos minutos finais. Segundo ele, o Paysandu teve situações de superioridade numérica no ataque, mas faltou precisão para transformar os lances em gols e definir o resultado.>
“Mais uma vez, pecamos no último terço, principalmente na reta final. Várias vezes tivemos superioridade numérica e não tivemos discernimento. Fomos até um pouquinho egoístas em algumas situações e não acabamos matando o jogo”, analisou.>
O treinador também observou que o Brusque aumentou a pressão em busca da vitória e conseguiu chegar ao empate após uma sobra dentro da área. Mesmo com a perda do resultado, ele evitou apontar culpados entre os jogadores e destacou o empenho do elenco durante a partida.>
“Do meu time, dos meus jogadores, eu não tenho absolutamente nada a falar. Os caras foram fantásticos, trabalhadores”, declarou.>
A ausência do acesso levou Mazola a ampliar o debate sobre o futuro do Paysandu. Para o técnico, o clube precisa rever sua estrutura e buscar estabilidade esportiva, em vez de alternar campanhas de promoção e rebaixamento em um intervalo de poucos anos.>
“O Paysandu não pode estar na Série C do Campeonato Brasileiro. O Paysandu não pode ficar nessa gangorra na Série B: sobe, dois anos depois desce; sobe, dois anos depois desce. Alguma coisa tem que ser diferente, alguma coisa tem que mudar no clube”, afirmou.>
Na avaliação do treinador, o planejamento bicolor deve ter objetivos de longo prazo, que não se limitem ao retorno à Série B. Ele defendeu a construção de condições para manter o clube em uma divisão nacional mais alta e, futuramente, buscar espaço na elite do futebol brasileiro.>
Mazola também ressaltou que a torcida merecia comemorar o acesso e disse acreditar que o desempenho da equipe durante o período em que esteve à frente do time poderia ter resultado na classificação. “O Paysandu merecia esse sucesso. A verdade é essa”, afirmou.>
Sobre a possibilidade de permanecer no comando técnico, Mazola informou que seu contrato terminou neste domingo (11), com o encerramento da campanha na Série C. Segundo ele, qualquer definição dependerá das conversas com a diretoria e das decisões relacionadas ao planejamento da próxima temporada.>
“Meu contrato acabou hoje. Em termos de futuro no Paysandu, eu preciso primeiro ver a situação da diretoria, qual é a vontade para o planejamento da diretoria e do seu presidente, que ainda vai passar por uma eleição, mesmo sendo chapa única”, explicou.>
O treinador afirmou que está aberto a ouvir uma eventual proposta para continuar no clube, mas ponderou que o momento exige cautela antes de discutir os próximos passos.>
“Em primeiro lugar está o Paysandu. Depois o presidente e depois o treinador, a comissão técnica. Vamos ver o que a diretoria vai pensar. Eu sempre estarei disponível para o Paysandu”, concluiu.>