Publicado em 10 de junho de 2026 às 18:30
O presidente da Fifa, Gianni Infantino, classificou como "lamentável" a ausência do árbitro somali Omar Artan na Copa do Mundo de 2026, que tem início previsto para esta quinta-feira. Em coletiva de imprensa realizada no Estádio Azteca, na Cidade do México, o dirigente afirmou nesta quarta-feira (10) que a entidade não possui poder de interferência sobre as decisões migratórias dos países-sede.>
Omar Artan, de 34 anos, seria o primeiro árbitro da Somália a atuar em uma Copa do Mundo e estava entre os 52 profissionais selecionados para o torneio organizado por EUA, Canadá e México. No entanto, o governo de Donald Trump barrou sua entrada em território norte-americano, o que levou a Fifa a retirá-lo oficialmente do quadro de arbitragem do Mundial ainda nesta semana.>
"Precisamos reconhecer que não somos os donos do mundo que podem mandar em governos e forças policiais — somos uma organização esportiva", declarou Infantino ao ser questionado se havia perdido o controle sobre a organização do evento. O dirigente ressaltou que a federação trabalha nos bastidores para entender as situações, mas que há decisões soberanas das autoridades que a Fifa apenas acata.>
Apesar do corte, Artan foi recebido como herói ao desembarcar na Somália nesta quarta-feira. Considerado um dos árbitros mais respeitados do continente africano, ele foi eleito o "Árbitro do Ano" pela Confederação Africana de Futebol (CAF) em 2025. Ex-capitães e membros da comunidade esportiva somali criticaram o veto, afirmando que a decisão prejudica o espírito de equidade e o mérito esportivo.>
Curiosamente, na mesma coletiva, Infantino destacou a articulação política bem-sucedida que garantiu a participação da seleção do Irã em solo norte-americano. A presença dos iranianos era vista como um desafio logístico e diplomático, uma vez que os Estados Unidos e o Irã estão em estado de guerra desde o final de fevereiro de 2026. Até o momento, o governo Trump não se manifestou publicamente sobre o caso específico do árbitro somali.>
Texto por Suellen Godinho, com supervisão de Adrielle Brito.>