Osasco conquista a Supercopa diante do Praia Clube após Justiça liberar Tifanny

Oposta participou da decisão após obter liminar contra veto da CBV; entidade afirma que recorrerá e que a autorização é provisória.

Publicado em 17 de outubro de 2026 às 14:18

Oporta foi campeã com o Osasco - 
Oporta foi campeã com o Osasco -  Crédito: Redes sociais

O Osasco conquistou o título da Supercopa Feminina de Vôlei na noite desta sexta-feira (16), ao vencer o Praia Clube, em São Luís, no Maranhão. A decisão teve um significado especial para a oposta Tifanny Abreu, que entrou em quadra após conseguir uma liminar judicial que autorizou sua participação na partida e nos jogos da Superliga Feminina 2026/2027.

A atleta havia enfrentado um impasse com a Confederação Brasileira de Voleibol (CBV), que manteve pendente a oficialização de sua inscrição para a competição. Com a decisão da Justiça, Tifanny pôde atuar na final e foi um dos destaques da equipe paulista. Emocionada após a conquista, ela também desabafou sobre a situação vivida nos dias anteriores à partida.

A autorização foi concedida pela 44ª Vara Cível do Rio de Janeiro cerca de uma hora e meia antes do início do confronto. A decisão estabeleceu, em caráter excepcional e provisório, a condição de jogo da atleta na Supercopa e na próxima edição da Superliga, enquanto a questão segue em análise na esfera desportiva.

O caso começou após a CBV aceitar, na tarde de quinta-feira (15), as inscrições das demais jogadoras do Osasco, mas deixar pendente o registro de Tifanny. Diante do impasse, a assessoria jurídica da atleta e do clube acionou a Justiça Desportiva por meio de um mandado de garantia, com o objetivo de assegurar sua participação nas competições até o julgamento definitivo do caso pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD).

Na manhã de sexta-feira, a Justiça Desportiva negou o pedido de liminar. Em seguida, a defesa recorreu ao Tribunal Pleno do STJD e também apresentou um pedido à Justiça comum. A autorização acabou sendo concedida pouco antes da decisão contra o Praia Clube.

Na fundamentação da medida provisória, o magistrado considerou, entre outros aspectos, que Tifanny participa de competições femininas no Brasil desde 2017, com autorização da própria CBV. A decisão também apontou a necessidade de avaliar a mudança de regras durante a trajetória esportiva de atletas já inseridas nas competições, especialmente diante da ausência de um período de adaptação e de uma oportunidade prática de contestação antes da partida.

A defesa da jogadora informou ter apresentado estudos técnicos e científicos para sustentar a participação dela nas competições. O mérito da questão, no entanto, ainda depende de análise definitiva pela Justiça Desportiva, e a liminar não representa uma decisão final sobre o caso.

Em nota enviada à imprensa, a CBV confirmou que cumpriu a determinação judicial, mas anunciou que pretende recorrer. A entidade também destacou que a autorização tem caráter temporário e que a questão continua em tramitação na Justiça Desportiva.

“A CBV apresentará os recursos cabíveis e adotará as medidas necessárias para a reversão da decisão”, afirmou a confederação.

No comunicado, a entidade acrescentou que a Justiça poderá reavaliar a medida após o julgamento definitivo do Mandado de Garantia nº 002/2026. Ao final da nota, a CBV reiterou seu compromisso com o respeito e a dignidade de todas as atletas e declarou repudiar manifestações discriminatórias.

Com a conquista da Supercopa, o Osasco inicia a temporada com um título, enquanto a situação de Tifanny permanece sujeita aos próximos desdobramentos judiciais e desportivos.