Publicado em 30 de janeiro de 2026 às 12:56
A crise climática entrou oficialmente em campo no Parazão 2026. A Federação Paraense de Futebol (FPF), em parceria com o Terra FC, lançou a Parada pelo Clima, ação inédita que utiliza a parada técnica de hidratação das partidas para conscientizar atletas, torcedores e dirigentes sobre os impactos econômicos e esportivos das mudanças climáticas no futebol.>
A iniciativa estreia na segunda rodada do campeonato estadual e se apoia em um estudo elaborado pelo Terra FC em conjunto com a consultoria ERM. O levantamento estima que eventos climáticos extremos podem provocar perdas de quase R$ 70 bilhões em valor de mercado para clubes das Séries A, B e C do futebol brasileiro ao longo dos próximos 25 anos.>
A proposta transforma um momento já incorporado à rotina das partidas em um espaço de comunicação direta com o público. Nos últimos anos, o futebol tem sido cada vez mais afetado por ondas de calor, chuvas intensas e alagamentos, que resultam em jogos transferidos para o período noturno, interrupções durante as partidas e até cancelamentos por condições inadequadas dos gramados.>
No cenário local, os impactos também são relevantes. Segundo o estudo, Remo e Paysandu podem sofrer perdas estimadas entre R$ 50 milhões e R$ 55 milhões em valor de mercado devido a eventos climáticos extremos nas próximas décadas, o que representa uma redução significativa no patrimônio esportivo dos dois maiores clubes do Pará.>
Além do prejuízo financeiro, a crise climática interfere diretamente no desempenho dos atletas, na segurança e no conforto das torcidas, no calendário esportivo e na infraestrutura dos estádios. Belém, por exemplo, apresenta elevado risco de inundações fluviais e costeiras, além de maior incidência de ondas de calor e incêndios florestais, fatores que ampliam os desafios para a realização de competições esportivas na capital paraense.>
A Parada pelo Clima adota uma abordagem direta e acessível, sem alarmismo, conectando o tema ambiental à experiência cotidiana do futebol. A ideia central da ação é simples: se o jogo precisa parar por causa do clima, a conversa sobre o clima também precisa acontecer.>
As ativações acontecem em todos os jogos da rodada, com vídeos exibidos nos telões dos estádios, faixas em campo, locução durante as partidas e inserções nas transmissões oficiais realizadas pela TV Cultura e pelo Canal do Benja.>
Para o presidente da Federação Paraense de Futebol, Ricardo Gluck-Paul, a iniciativa reforça o papel institucional do esporte diante de um problema que já afeta a sociedade. “O futebol sente primeiro aquilo que impacta o cotidiano das pessoas. Usar o campeonato como plataforma de conscientização é uma responsabilidade e uma oportunidade de gerar reflexão”, afirmou.>
Já a diretora do Terra FC, Laura Moraes, destacou que os dados mostram que os efeitos das mudanças climáticas no futebol são concretos e mensuráveis. “O estudo aponta riscos reais, mas também indica que ainda há tempo para agir, se adaptar e reduzir prejuízos. A Parada pelo Clima busca transformar informação em consciência e mobilização”, explicou.>
Ao longo do Parazão 2026, a iniciativa seguirá abordando diferentes recortes dos impactos climáticos no esporte, reforçando o compromisso da FPF e de seus parceiros com um futebol mais atento ao território, às pessoas e ao contexto ambiental em que está inserido.>