Paysandu vai para os últimos jogos da Série C com missão de 'salvar o ano' com o acesso

Papão já conquistou três títulos em 2026, mas chega à reta final do quadrangular precisando de uma reação para manter vivo o sonho da Série B de 2027.

Publicado em 29 de setembro de 2026 às 11:03

Paysandu é o time da Série C com mais gols na temporada 2026 -
Paysandu é o time da Série C com mais gols na temporada 2026 - Crédito: Jorge Luís Totti/Paysandu

O Paysandu chega ao último jogo como mandante na Série C de 2026 vivendo um contraste dentro da própria temporada. O clube já colocou três troféus na galeria neste ano - Campeonato Paraense, Copa Norte e Copa Verde -, mas entra na reta final da competição nacional precisando reagir para manter vivo o principal objetivo que ainda resta: o retorno à Série B em 2027.

O próximo capítulo será neste sábado (3), contra a Ferroviária, às 19h30, na Curuzú. Depois disso, o Papão encerra sua participação no quadrangular fora de casa, contra o Brusque.

Um começo promissor

A temporada começou com Júnior Rocha no comando e resultados que rapidamente colocaram o treinador em alta com a torcida bicolor.

O trabalho foi marcado pelas conquistas do Parazão, Copa Norte e Copa Verde, além da classificação para o quadrangular da Série C. Ao todo, Rocha comandou o Paysandu em 43 partidas, com 24 vitórias, cinco empates e 14 derrotas.

Comissão técnica junto com o técnico Júnior Rocha -
Comissão técnica junto com o técnico Júnior Rocha - Crédito: Divulgação/@tecnicojuniorrocha

O próprio lateral Edílson classificou 2026 como a temporada mais vitoriosa da carreira e destacou os três títulos conquistados pelo clube.

Mas, paralelamente às taças, a campanha na Série C começou a apresentar sinais de desgaste.

Da boa largada à queda de rendimento

O Paysandu teve momentos positivos durante a primeira fase, mas foi perdendo força na reta final da competição.

A queda ficou evidente nas últimas rodadas. Na partida que encerrou a primeira fase, o Papão recebeu o Maringá no Mangueirão e perdeu por 1 a 0, com gol sofrido aos 39 minutos do segundo tempo. Mesmo com a derrota, conseguiu a classificação para o quadrangular, mas terminou a primeira fase na sétima colocação.

A classificação, portanto, veio com um gosto diferente.

O Paysandu entrou no quadrangular, mas já carregava uma sequência de problemas que apareciam durante a campanha: dificuldades defensivas, desperdício de oportunidades e resultados abaixo do esperado na reta final.

Chegaram a destacar que, após a derrota para o Maringá, o time apresentava problemas que voltariam a aparecer logo na estreia do quadrangular: defesa vulnerável, desperdício no ataque e dificuldades para se impor em casa.

Júnior Rocha: do início vitorioso à saída

A trajetória de Júnior Rocha também acompanha essa mudança de cenário.

O treinador começou o ano conquistando títulos e participando diretamente da construção de um elenco com muitos jogadores da base, além de reforços que foram chegando ao eleno que chegou à fase decisiva da Série C. Mas o desempenho caiu justamente quando a competição nacional entrou em sua reta mais importante.

Após a derrota para o Maringá na última rodada da primeira fase, vieram duas novas derrotas no quadrangular: 2 a 1 para o Brusque e 1 a 0 para a Ferroviária.

Foi justamente após o segundo resultado negativo no quadrangular que a diretoria decidiu pela saída do treinador.

Júnior Rocha deixou o Paysandu após três derrotas consecutivas, considerando o revés para o Maringá e os dois primeiros jogos da fase decisiva.

A demissão não apaga o que foi construído anteriormente. Pelo contrário: o treinador saiu tendo conquistado três títulos pelo clube e levado o Papão ao quadrangular da Série C. Mas a queda de rendimento na competição nacional acabou pesando na decisão da diretoria.

A troca de comando e a tentativa de reação

Para as rodadas finais, o Paysandu apostou em um velho conhecido: Mazola Júnior.

O treinador retornou ao clube com a missão de tentar transformar um cenário que já era complicado. Em sua apresentação, afirmou que o Papão ainda poderia reverter a situação. Mas a mudança não produziu, até aqui, a reação esperada.

Depois da saída de Júnior Rocha, o Paysandu empatou a Inter de Limeira por 2 a 2 na terceira rodada do quadrangular, em um jogo que vencia até os minutos finais após a arbitragem assinalar um pênalti a favor da Inter, saindo o gol de empate da equipe paulista, mas voltou a perder na rodada seguinte, novamente para a equipe paulista, desta vez por 2 a 0, fora de casa.

O resultado deixou o Papão com um ponto após quatro partidas no quadrangular.

Três títulos não resolvem a conta da Série C

É justamente aí que está o grande contraste da temporada bicolor.

O Paysandu já foi campeão três vezes em 2026. O clube teve conquistas importantes e chegou à quinta fase da Copa do Brasil. Mas o acesso à Série B continua sendo uma meta de enorme peso para o projeto esportivo.

E agora o cenário é ainda mais difícil porque o time não depende apenas dos próprios resultados.

Com seis pontos ainda em disputa, o Paysandu precisa vencer a Ferroviária e o Brusque e acompanhar uma combinação de resultados dos adversários.

O confronto deste sábado, portanto, tem um peso que vai além dos três pontos.

Último jogo em Belém

Paysandu x Ferroviária será o último jogo do Papão como mandante na Série C, e no ano de 2026. E talvez seja justamente isso que torne a partida ainda mais simbólica.

A torcida que acompanhou um primeiro semestre de conquistas - com Parazão, Copa Norte e Copa Verde - agora terá a última oportunidade de ver o time em Belém pela competição que pode definir o futuro do clube na próxima temporada.

O Paysandu chega ao jogo com três títulos conquistados, mas com o acesso à Série B de 2027 praticamente distante de se obter.

O ano bicolor já tem troféus. O que falta é justamente o objetivo que pode mudar o peso de toda essa temporada: o acesso.

E o jogo contra a Ferroviária será o último capítulo dessa história diante da torcida em Belém.

Texto por Pedro Moraes.