Presidente do Fluminense esclarece fala sobre bets no STF

Mattheus Montenegro reconheceu impactos das apostas sobre famílias endividadas, mas defendeu transição para o fim da publicidade do setor no esporte

Publicado em 4 de novembro de 2026 às 15:25

Mattheus Montenegro reconheceu impactos das apostas sobre famílias endividadas, mas defendeu transição para o fim da publicidade do setor no esporte
Mattheus Montenegro reconheceu impactos das apostas sobre famílias endividadas, mas defendeu transição para o fim da publicidade do setor no esporte Crédito: Reprodução 

Nesta quarta-feira (4), o presidente do Fluminense, Mattheus Montenegro, se pronunciou  para esclarecer declarações feitas durante audiência pública no Supremo Tribunal Federal (STF), sobre a restrição à publicidade de casas de apostas no esporte. Em nota publicada nas redes sociais, o dirigente reconheceu os impactos negativos das bets, mas defendeu um período de transição para o encerramento das receitas provenientes do setor.

Montenegro afirmou que o Fluminense participou da manifestação no STF ao lado de outros 14 clubes da Série B. Segundo ele, a preocupação apresentada foi com os possíveis efeitos econômicos e sociais de uma interrupção abrupta dos recursos, especialmente sobre os trabalhadores e as equipes de menor arrecadação.

“Minha crítica sobre o tema foi à forma como a Medida Provisória foi feita: encerrar uma atividade regulada, sem período de transição, gera consequências graves econômicas e sociais que poderiam ser evitadas”, escreveu.

Em outro trecho, o presidente defendeu que uma adaptação gradual poderia reduzir os impactos sobre o setor. “Com um período de transição justo, com prazo de adaptação, seria possível evitar ou reduzir muito esses impactos. E foi isso o que defendi ontem”, declarou.

O dirigente também comentou sobre os efeitos das apostas na sociedade e afirmou que o endividamento de famílias representa um problema de saúde pública. Ao mesmo tempo, destacou os riscos de desemprego entre profissionais ligados ao futebol caso as receitas sejam interrompidas sem planejamento.

“O drama de uma família endividada não pode ser maior do que o drama de uma família que vai ter que sofrer os efeitos do desemprego, que é o que vai acontecer na cadeia do futebol, especialmente das agremiações menores com base nessa perda de receita”, afirmou.

Na nota, Montenegro acrescentou que sua manifestação buscou defender os funcionários de clubes menores, a formação de atletas e o papel social das instituições esportivas. Ele também citou experiências internacionais de restrição à publicidade de apostas, afirmando que houve períodos de transição de pelo menos dez meses, enquanto no Brasil o prazo teria sido de aproximadamente dez dias.

O presidente do Fluminense encerrou o comunicado reiterando que reconhece os problemas relacionados às apostas, mas considera necessário discutir medidas que reduzam os impactos sobre trabalhadores e suas famílias.