Publicado em 9 de julho de 2026 às 18:08
A Copa do Mundo de 2026, realizada conjuntamente por Canadá, Estados Unidos e México, reúne pelo menos cinco jogadores que estão sob investigação ou já foram investigados por alegações de estupro e agressão sexual. Ao todo, eles respondem a 12 acusações feitas por diferentes mulheres, mas seguem aptos a disputar o mundial porque a FIFA não impede o registro de atletas nessas condições e deixa a decisão a cargo das federações nacionais.>
A participação desses jogadores também tem gerado discussões sobre a responsabilidade ética das federações na convocação dos atletas. Especialistas em direito lembram que o princípio da presunção de inocência garante o direito ao trabalho de pessoas que não foram condenadas definitivamente. Já organizações de defesa dos direitos das mulheres questionam a permanência de atletas acusados de crimes graves em competições de grande visibilidade. Para esses grupos, a convocação para uma seleção nacional deveria considerar o desempenho esportivo, a imagem pública do atleta e os possíveis impactos para as vítimas.>
Confira abaixo quem são os principais jogadores envolvidos e a situação de cada caso:>
Thomas Partey (Gana)>
O meio-campista de Gana enfrenta o cenário jurídico mais extenso, com sete acusações de estupro e uma de agressão sexual no Reino Unido. Devido a essas investigações em curso, o Canadá negou o visto de entrada ao jogador, o que o impediu de participar da partida de abertura de sua seleção contra o Panamá, em Toronto. Partey, que se declarou inocente, chegou a ser detido em 2025 e obteve liberdade condicional após pagamento de fiança, sob a condição de não contatar as acusadoras.>
Achraf Hakimi (Marrocos)>
Considerado um dos melhores defensores do mundo, o capitão de Marrocos irá a julgamento por agressão sexual na França. Uma mulher de 24 anos o acusou de estupro em fevereiro de 2023, alegando ter sido agredida na casa do jogador após se conhecerem pelo Instagram. Hakimi nega as acusações, afirmando ser vítima de uma tentativa de extorsão. Recentemente, um tribunal francês negou seu pedido para arquivar o caso, confirmando que há elementos suficientes para o processo prosseguir.
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Ryan Mendes (Cabo Verde)>
O capitão da seleção de Cabo Verde está sob investigação da polícia da Nova Zelândia após uma queixa de estupro apresentada por uma brasileira em abril de 2026. O crime teria ocorrido em março, em um hotel em Auckland, onde a mulher trabalhava como intérprete para a equipe. Segundo o relato, Mendes a teria estrangulado e violado. A federação de Cabo Verde tem gerado polêmica ao proibir perguntas de jornalistas sobre o assunto durante coletivas de imprensa no Mundial.>
Kaishu Sano (Japão)>
O volante japonês foi detido em Tóquio em julho de 2024, acusado de participar de um estupro coletivo contra uma mulher em um hotel. No entanto, as acusações foram retiradas após sua equipe jurídica chegar a um acordo com a vítima. Sano pediu desculpas publicamente pelo "erro pessoal" e foi reintegrado à seleção pelo técnico Hajime Moriyasu, que defendeu dar ao jogador uma oportunidade de recomeçar.>
Junya Ito (Japão)>
Outro jogador japonês, Junya Ito, foi acusado por duas mulheres de abuso sexual em um hotel de Osaka no início de 2024. Ele chegou a ser removido da convocatória da Taça da Ásia na época, mas os procuradores retiraram as acusações em agosto de 2024 por falta de evidências. Ito moveu uma ação contra as acusadoras por denúncia caluniosa, mas o pedido não foi aceito pela Justiça.>
Além dos casos principais, outros jogadores presentes no torneio já enfrentaram investigações semelhantes no passado:>
– Cristiano Ronaldo (Portugal): Teve um longo processo por uma acusação de estupro em Las Vegas (2009), que foi arquivado definitivamente em 2022/2023.>
– Gonzalo Montiel (Argentina): Foi acusado de agressão sexual em 2023, mas absolvido em 2024 por falta de provas.>
– Thiago Almada (Argentina): Foi investigado por autoridades por agressão sexual, mas não chegou a ser formalmente acusado.>