Publicado em 9 de julho de 2026 às 18:30
As empresas de apostas esportivas online, as chamadas bets, terão de enquadrar-se em regras mais duras de publicidade, anunciou nesta quinta-feira (9) o ministro da Fazenda, Dario Durigan. As novas normas serão publicadas nesta sexta-feira (10) e passam a valer em 17 de julho. As medidas incluem a obrigatoriedade de advertências nas campanhas publicitárias, restrições às estratégias de marketing e o reforço da fiscalização sobre empresas que atuam de forma irregular.>
Alertas obrigatórios>
Uma das portarias determina que toda publicidade de empresas autorizadas seja acompanhada de mensagens de advertência semelhantes às utilizadas em propagandas de cigarros, bebidas alcoólicas e medicamentos.>
As campanhas deverão exibir uma das seguintes mensagens:>
• "Ministério da Fazenda adverte: apostar faz você perder dinheiro";>
• "Ministério da Fazenda adverte: apostar pode causar dependência";>
• "Ministério da Fazenda adverte: aposta não é investimento".>
Segundo Durigan, a iniciativa busca ampliar a conscientização da população sobre os riscos associados às apostas.>
Publicidade limitada>
A segunda portaria, elaborada em conjunto com o Ministério da Justiça e Segurança Pública, estabelece novas restrições para as campanhas das empresas autorizadas.>
Entre as medidas estão a proibição de apresentar apostas como forma de investimento ou ganho fácil de dinheiro, de criar senso de urgência para estimular apostas e de utilizar comentaristas, especialistas ou influenciadores para induzir o público a apostar.>
"Todos os canais estão sujeitos a essas regras. Todo comentarista está proibido de induzir. Os comentaristas ou especialistas que comentam jogos ou mesas-redondas têm, para algumas pessoas, um tom de autoridade e, ao passar uma informação, também induzem ao jogo", afirmou o ministro.>
Durigan também destacou que o governo pretende impedir o uso de análises técnicas como estratégia de convencimento do apostador.>
"Não é lícito nem regular induzir o consumidor a erro misturando o comentário de um especialista, dizendo que a melhor aposta é uma ou que o caminho é aquele, dando um verniz de respaldo técnico", declarou.>
As novas regras ainda proíbem a divulgação de históricos de premiações ou resultados anteriores capazes de estimular apostas.>
"Quando se mostra o histórico de premiação, se oculta o histórico de perdas", disse.>
As campanhas também não poderão direcionar publicidade para crianças e adolescentes.>
"Há tolerância zero à publicidade que, de alguma maneira, busque atingir criança e adolescente", reforçou.>
Combate às ilegais>
Durante a coletiva, Durigan reafirmou que o governo manterá uma atuação rigorosa contra empresas que operam sem autorização no país.>
"A gente faz restrições à publicidade de bets no país. Eu não preciso dizer, porque é chover no molhado, a nossa tolerância zero com as ilegais. Então, bet ilegal, em nenhuma medida está autorizada, e nem os publicitários, os veículos de comunicação estão autorizados a veicular qualquer publicidade envolvendo empresa não autorizada a operar no mercado", afirmou.>
Segundo o ministro, a proibição também alcança plataformas e veículos responsáveis pela divulgação das campanhas.>
Penalidades>
Empresas que desrespeitarem as novas regras poderão sofrer sanções administrativas.>
As penalidades previstas incluem:>
• multa de até 20% do faturamento da operadora;>
• suspensão das atividades por até 180 dias;>
• cassação da autorização de funcionamento em casos de reincidência grave.>
Fiscalização>
Durigan também apresentou um balanço das ações de fiscalização conduzidas pelo governo desde a regulamentação do setor.>
Segundo o ministro:>
• 56 mil sites de apostas ilegais já foram retirados do ar;>
• cerca de 1 mil perfis de influenciadores foram derrubados;>
• aproximadamente 1 milhão de apostadores tiveram a autoexclusão determinada por estarem em desacordo com as restrições previstas na legislação.>
"Houve uma vedação de que beneficiários de programas do governo estão proibidos de acessar. Decisão do STF. E também das pessoas que aderem ao Desenrola", explicou.>
O ministro acrescentou que as próprias empresas autorizadas têm colaborado com denúncias envolvendo operadores clandestinos.>
Regulação>
Durigan também apresentou uma linha do tempo da regulamentação das apostas esportivas no Brasil:>
• 2018: autorização legal para funcionamento, sem regulamentação;>
• 2023: Congresso aprova as regras gerais do setor;>
• 2024: criação da Secretaria de Prêmios e Apostas, no Ministério da Fazenda;>
• 2025: início da cobrança de outorgas e da aplicação das regras para operação regular;>
• 2026: notificação de 37 fintechs suspeitas de movimentar recursos ligados a bets ilegais.>
Segundo o Ministério da Fazenda, o objetivo das novas medidas é reduzir práticas publicitárias consideradas abusivas, ampliar a proteção ao consumidor e reforçar o combate ao mercado ilegal de apostas no Brasil.>
Agência Brasil >