Sob ordem da Fifa, Haiti é obrigado a mudar uniforme histórico às vésperas da Copa do Mundo

Entidade máxima do futebol barrou camisa que homenageava o fim da escravidão e a independência do país sob alegação de "manifestação política".

Publicado em 11 de junho de 2026 às 09:08

Sob ordem da Fifa, Haiti é obrigado a mudar uniforme histórico às vésperas da Copa do Mundo
Sob ordem da Fifa, Haiti é obrigado a mudar uniforme histórico às vésperas da Copa do Mundo Crédito: Reprodução/Saeta

Uma polêmica histórica vai acompanhar os primeiros passos da seleção do Haiti na Copa do Mundo de 2026. A poucos dias de entrar em campo, a Federação Haitiana de Futebol precisou correr contra o tempo para alterar as camisas da equipe. O motivo? A Fifa vetou a estampa do uniforme por enxergar mensagens de teor político no design, que homenageava a histórica Batalha de Vertières, um combate de 1803 crucial para libertar o país do domínio francês.

A decisão causou indignação nos bastidores. Representantes da delegação caribenha lamentaram o posicionamento da entidade máxima do futebol, classificando o veto como uma grande falha de interpretação cultural. A fornecedora de material esportivo, a marca Saeta, também se manifestou publicamente, reforçando que o projeto levou meses para ser finalizado e tinha como único objetivo exaltar o orgulho, a força e a resiliência dos cidadãos haitianos, longe de qualquer ideologia partidária.

As regras de vestuário da Fifa são bastante rígidas e proíbem manifestações de cunho político ou ideológico durante os torneios oficiais. O desenho barrado mostrava heróis nacionais erguendo a bandeira do país logo após a vitória na revolução liderada por Toussaint Louverture, um ex-escravizado que comandou a única revolta de pessoas escravizadas que deu certo na história moderna.

Para aumentar a carga dramática, o Haiti garantiu sua vaga para este Mundial exatamente no dia 18 de novembro de 2025, mesma data em que a histórica batalha completou seu aniversário.

Curiosamente, o futebol não é o primeiro cenário onde a memória do Haiti sofre censura por regulamentos esportivos. No início deste ano, durante os Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina 2026, o Comitê Olímpico Internacional já havia obrigado a equipe de esqui do país a cobrir com um remendo o rosto de Louverture estampado nos trajes dos atletas.

Mesmo com a alteração forçada na camisa, o foco dos jogadores agora se volta totalmente para o Grupo C da competição. A caminhada haitiana começa neste sábado (13), às 22h (de Brasília), contra a Escócia, seguida por um duelo aguardadíssimo contra o Brasil no dia 19, e o encerramento da fase de grupos diante de Marrocos, no dia 24.