Tifanny e Osasco recorrem à Justiça após CBV vetar atletas trans de competições nacionais

Após negativa da Justiça Desportiva, jogadora e clube buscam o Judiciário para tentar garantir a participação da ponteira na Supercopa e na Superliga.

Publicado em 16 de outubro de 2026 às 18:33

Tifanny e Osasco recorrem à Justiça após CBV vetar atletas trans de competições nacionais 
Tifanny e Osasco recorrem à Justiça após CBV vetar atletas trans de competições nacionais  Crédito: Reprodução/Osasco Voleibol Clube

A jogadora Tifanny Abreu e o Osasco Voleibol Clube vão recorrer à Justiça comum para tentar reverter o impedimento à participação da atleta em competições nacionais. A decisão foi tomada após a Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) manter pendente a inscrição da ponteira e o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) rejeitar o pedido apresentado pela defesa.

O caso ganhou destaque às vésperas da Supercopa, confronto entre Osasco e Praia Clube, e também coloca em questão a presença de Tifanny na disputa da Superliga. Embora as inscrições das demais jogadoras do time tenham sido aprovadas, a documentação da ponteira não recebeu liberação da entidade.

Com a negativa na esfera esportiva, a defesa pretende levar a disputa ao Judiciário comum na tentativa de garantir que a jogadora possa entrar em quadra enquanto questiona as regras que motivaram o bloqueio de sua inscrição.

Defesa questiona mudança nas regras

Entre os argumentos apresentados pelos advogados está o de que a nova norma não deveria impedir Tifanny de exercer a profissão que vem desempenhando há anos. A defesa também sustenta que a jogadora participou da campanha que garantiu ao Osasco a vaga na Supercopa e que a mudança foi implementada sem diálogo prévio com a atleta e o clube.

A equipe jurídica ainda apresentou estudos técnicos e científicos para embasar o pedido. A intenção é conseguir uma decisão provisória que permita à ponteira voltar às quadras enquanto a questão é analisada judicialmente.

Entenda a regra da CBV

A mudança foi anunciada pela confederação em agosto de 2026. A política restringe a elegibilidade para as competições femininas nacionais a atletas que atendam aos critérios definidos pela entidade, incluindo a apresentação de teste genético com resultado negativo para o gene SRY, associado ao desenvolvimento sexual masculino.

Segundo a CBV, a medida segue diretrizes internacionais relacionadas à elegibilidade no esporte. A regra abrange torneios como a Superliga e a Supercopa, além de outras competições nacionais. Os campeonatos estaduais, porém, não foram afetados inicialmente pela mudança, o que permitiu que Tifanny continuasse atuando pelo Osasco no Campeonato Paulista.

Jogadora critica impedimento

Aos 41 anos, Tifanny foi a primeira mulher trans a atuar na elite do vôlei feminino brasileiro e disputa a Superliga desde 2017. Em manifestações públicas recentes, a atleta afirmou que pretende lutar pelo direito de continuar trabalhando e encerrar a carreira dentro das quadras, com dignidade.

O caso também mobilizou nomes do vôlei brasileiro. Gabi Guimarães, capitã da seleção feminina, manifestou apoio à jogadora e criticou a forma como a mudança foi conduzida, destacando os impactos pessoais e profissionais da decisão.

Até o momento, a disputa segue em andamento, e a participação de Tifanny nas competições nacionais dependerá dos desdobramentos judiciais e da análise dos critérios estabelecidos pela CBV.