Argentina pode apoiar militarmente os EUA em eventual guerra com o Irã, diz porta-voz de Milei

Declaração reforça alinhamento de Buenos Aires com Washington e Israel em meio à escalada no Oriente Médio.

Publicado em 18 de março de 2026 às 21:23

Javier Milei, presidente da Argentina -
Javier Milei, presidente da Argentina - Crédito: Instagram/@javiermilei

O governo argentino de Javier Milei sinalizou disposição para oferecer apoio militar aos Estados Unidos em um eventual conflito com o Irã, caso haja solicitação formal do governo de Donald Trump. A afirmação foi feita pelo porta-voz presidencial, Javier Lanari, em entrevista ao jornal espanhol El Mundo nesta quarta-feira (18).

“Se os Estados Unidos solicitarem, sim. Qualquer tipo de ajuda que considerarem necessária será fornecida”, declarou Lanari. Ele enfatizou que, até o momento, não há pedido oficial de Washington, mas a resposta reflete o alinhamento estratégico da administração Milei com os EUA e Israel, especialmente em meio à escalada de tensões no Oriente Médio, incluindo confrontos envolvendo o Estreito de Ormuz e bombardeios recentes.

A declaração ganhou destaque em veículos como G1, Clarín e BioBioChile, que destacam o contexto de forte proximidade ideológica entre Milei e Trump. Nos últimos meses, Milei já manifestou apoio explícito aos ataques americanos e israelenses contra alvos iranianos, classificando Teerã como “inimigo” da Argentina em discursos recentes, como o proferido na Yeshiva University, em Nova York.

Histórico de inimizade e contexto recente

A relação tensa entre Buenos Aires e Teerã remonta aos atentados dos anos 1990: o bombardeio à Embaixada de Israel em 1992 (29 mortos) e à AMIA em 1994 (85 mortos), ambos atribuídos pela Justiça argentina ao regime iraniano — acusação negada por Teerã.

Recentemente, a Argentina intensificou sua postura anti-Irã. Durante evento que marcou os 34 anos do atentado à embaixada israelense, Milei reforçou: “A Argentina combate o terrorismo e defende a liberdade. Israel é um aliado estratégico do nosso país.” A comunidade judaica argentina, com cerca de 300 mil membros, a maior da América Latina, é um fator relevante no posicionamento do governo.

Em paralelo, o país finalizou sua saída da Organização Mundial da Saúde (OMS) em março de 2026, seguindo os passos dos EUA (que saíram em janeiro), com críticas à gestão da pandemia de Covid-19 pela entidade. O chanceler Pablo Quirno confirmou a medida, alegando soberania em saúde.

Reação iraniana

A sinalização argentina provocou resposta dura de Teerã. Em editorial no Tehran Times (jornal ligado ao regime), o Irã acusou Milei de cruzar uma “linha vermelha imperdonável” ao alinhar-se com os EUA e Israel na “agressão militar” contra o país. O texto sugere que Teerã deve preparar uma “resposta proporcional” às posições hostis de Buenos Aires, elevando o tom diplomático.

Com informações do portal G1