‘Brasil interfere na economia dos EUA’, afirma Governo Trump ao prorrogar sanções contra o país

Governo norte-americano renova ordem executiva por mais um ano e mantém tarifa de 50% sobre produtos brasileiros; comunicado cita ainda “censura” do STF e perseguição política.

Publicado em 28 de julho de 2026 às 17:12

Governo de Donald Trump justifica a continuidade da "emergência nacional" alegando que o governo brasileiro adota práticas que "interferem na economia dos Estados Unidos". 
Governo de Donald Trump justifica a continuidade da "emergência nacional" alegando que o governo brasileiro adota práticas que "interferem na economia dos Estados Unidos".  Crédito: Molly Riley/Official White House

O governo dos Estados Unidos anunciou, nesta quarta-feira (28), a prorrogação por mais um ano da ordem executiva que impõe severas restrições econômicas ao Brasil. A medida mantém em vigor uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, fundamentada na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional.

Em comunicado oficial da Casa Branca, o governo de Donald Trump justifica a continuidade da "emergência nacional" alegando que o governo brasileiro adota práticas que "interferem na economia dos Estados Unidos". Além do impacto econômico, o documento sustenta que as ações do Brasil infringem os direitos de livre expressão de cidadãos americanos e violam direitos humanos.

O texto também faz duras críticas ao cenário político e jurídico brasileiro, acusando membros do governo de "perseguir politicamente um ex-presidente, sua família e seus apoiadores". O Supremo Tribunal Federal (STF) é citado nominalmente como um "promotor de censura", especialmente por meio da prisão de pessoas e do bloqueio de conteúdos na internet, o que, para Washington, representa uma ameaça à segurança e à política externa dos EUA.

A ordem executiva é um instrumento que permite ao governo federal agir sem a aprovação do Congresso, desde que dentro dos limites da lei. No primeiro semestre de seu segundo mandato, Trump já assinou 176 ordens, superando a média de presidentes anteriores, como Joe Biden e Franklin D. Roosevelt.

Até o momento, o Itamaraty não se manifestou sobre a renovação das tarifas ou sobre as acusações contidas no documento assinado pelo presidente norte-americano.

Texto por Suellen Godinho, com supervisão de Adrielle Brito.