Cientistas desenvolvem anticoncepcional masculino para usar 30 minutos antes do sexo, com efeito que dura até oito horas

Pesquisa nos Estados Unidos recebe US$ 8,2 milhões para avançar nos estudos de segurança do contraceptivo.

Publicado em 27 de outubro de 2026 às 16:47

Cientistas desenvolvem anticoncepcional masculino para usar 30 minutos antes do sexo, com efeito que dura oito horas
Cientistas desenvolvem anticoncepcional masculino para usar 30 minutos antes do sexo, com efeito que dura oito horas Crédito: Reprodução/Redes Sociais

Uma pílula anticoncepcional masculina que promete agir poucas horas após ser ingerida está entre as novas apostas da ciência para ampliar as opções de contracepção. Desenvolvido por pesquisadores da Weill Cornell Medicine, nos Estados Unidos, o medicamento experimental busca impedir temporariamente a ação dos espermatozoides, sem comprometer a fertilidade a longo prazo.

A proposta é que o comprimido seja tomado cerca de 30 minutos antes da relação sexual, com efeito contraceptivo estimado entre seis e oito horas. Após esse período, a fertilidade deverá ser restabelecida. A tecnologia, no entanto, ainda está em fase de pesquisa e não foi testada em seres humanos.

O projeto recebeu US$ 8,2 milhões do Instituto Nacional de Saúde Infantil e Desenvolvimento Humano dos Estados Unidos (NICHD). O financiamento prevê quatro anos de trabalho, com estudos voltados à avaliação da segurança do composto e à preparação das próximas etapas de desenvolvimento.

Como funciona a pílula masculina

Ao contrário dos anticoncepcionais femininos tradicionais, que geralmente utilizam hormônios para evitar a gravidez, a nova abordagem atua diretamente sobre os espermatozoides.

O medicamento bloqueia temporariamente a ação da adenilil ciclase solúvel (sAC), uma enzima essencial para a mobilidade dessas células. Com a atividade da enzima inibida, os espermatozoides perdem a capacidade de se movimentar adequadamente, o que dificulta a fecundação do óvulo.

Os resultados iniciais foram apresentados em um estudo publicado em 2023 na revista científica Nature Communications. Nos experimentos com camundongos, o bloqueio da enzima impediu a ocorrência de gestações durante o período de ação do composto. Posteriormente, os animais recuperaram a fertilidade.

Apesar dos resultados, ainda é necessário investigar como o medicamento se comportará em humanos. Os pesquisadores precisam avaliar possíveis efeitos adversos, confirmar a duração da proteção e verificar se a fertilidade retorna ao normal de maneira segura.

Atualmente, os principais métodos contraceptivos masculinos disponíveis são o preservativo e a vasectomia. O primeiro também ajuda a prevenir infecções sexualmente transmissíveis, enquanto o segundo é um procedimento cirúrgico que oferece contracepção duradoura, mas cuja reversão não é garantida.

Além da pílula de efeito rápido, outras pesquisas buscam desenvolver alternativas para os homens. É o caso da YCT-529, um anticoncepcional não hormonal que atua na produção de espermatozoides e já chegou à fase de testes clínicos em humanos.

A expectativa é que o avanço dessas pesquisas amplie as possibilidades de planejamento familiar e permita dividir de forma mais equilibrada a responsabilidade pela prevenção da gravidez.

Por enquanto, não há uma data confirmada para a chegada da nova pílula ao mercado. Até que os estudos em humanos comprovem sua eficácia e segurança, o medicamento continua sendo experimental e não deve ser usado como método contraceptivo.