Colômbia acusa Equador de interferir na disputa presidencial

Governo colombiano criticou anúncio feito por Daniel Noboa após conversa com candidato da oposição às vésperas da eleição.

Publicado em 30 de maio de 2026 às 19:30

Governo colombiano criticou anúncio feito por Daniel Noboa após conversa com candidato da oposição às vésperas da eleição.
Governo colombiano criticou anúncio feito por Daniel Noboa após conversa com candidato da oposição às vésperas da eleição. Crédito: Reprodução

Neste sábado (30), a Colômbia acusou o governo do Equador de interferência no processo eleitoral que antecede a eleição presidencial marcada para domingo (31). A reação ocorreu após o presidente equatoriano, Daniel Noboa, anunciar o fim das tarifas de 100% sobre produtos colombianos depois de conversar com o candidato opositor Abelardo de la Espriella.

Segundo Noboa, durante a conversa com o candidato, ambos discutiram medidas para fortalecer o combate ao tráfico de drogas na fronteira entre os dois países. A declaração gerou críticas do governo colombiano, que interpretou a manifestação como um gesto político em favor de um dos concorrentes na disputa presidencial.

O presidente colombiano, Gustavo Petro, afirmou que a atitude do governo equatoriano representa uma tentativa de favorecer a extrema direita. Em nota oficial, o Ministério das Relações Exteriores da Colômbia classificou o episódio como uma interferência deliberada no processo democrático do país.

A chancelaria colombiana declarou que a participação de um chefe de Estado estrangeiro em assuntos relacionados à eleição de outro país representa uma violação do princípio de não intervenção e um desrespeito à soberania nacional. O governo também argumentou que a redução das tarifas não foi resultado de um acordo político, mas de uma determinação da Comunidade Andina de Nações.

A tensão entre os dois países começou em fevereiro, quando o Equador acusou a Colômbia de não atuar de forma suficiente no combate ao crime organizado na região de fronteira e decidiu aplicar tarifas de até 100% sobre produtos colombianos. Desde então, medidas semelhantes passaram a ser adotadas pelos dois lados.

A eleição presidencial colombiana ocorre em meio a um cenário de forte polarização política. As pesquisas apontam que nenhum candidato deve alcançar votos suficientes para vencer no primeiro turno, tornando provável a realização de uma segunda votação.

Entre os favoritos estão o senador governista Iván Cepeda, que defende a continuidade da política de "Paz Total" adotada por Gustavo Petro, e o advogado Abelardo de la Espriella, que propõe uma atuação mais rígida contra grupos armados e organizações criminosas.

Enquanto a disputa política domina o debate nacional, moradores de regiões afetadas pela violência afirmam esperar que o próximo presidente consiga ampliar a segurança e criar condições para reduzir os conflitos que ainda atingem diversas áreas do país. Autoridades locais defendem que o combate à violência seja acompanhado de políticas sociais e oportunidades econômicas para a população.