Publicado em 5 de junho de 2026 às 18:32
A República Democrática do Congo (RDC) informou, nesta sexta-feira (5), que o número de casos confirmados de ebola subiu para 452, após o registro de 71 novas notificações em apenas 24 horas. Segundo balanço oficial do governo, o surto já provocou 82 mortes. As autoridades alertam que os novos dados indicam uma transmissão comunitária "rápida e contínua", sinalizando que o vírus está se espalhando sem controle entre a população.>
Diante da gravidade da situação, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Centro de Controle e Prevenção de Doenças da África (Africa CDC) lançaram um plano conjunto de emergência orçado em US$ 518 milhões (aproximadamente R$ 2,6 bilhões). O investimento, previsto para o período entre junho e novembro, foca em vigilância, testes laboratoriais, assistência clínica e mobilização das comunidades.>
O atual surto, declarado oficialmente em 15 de maio, é causado pela rara variante Bundibugyo. O epicentro da crise localiza-se na província de Ituri, que concentra cerca de 90% dos casos e 76% dos óbitos. A doença também já cruzou fronteiras, com 16 casos confirmados e uma morte registrada em Uganda, país vizinho ao Congo.>
Um dos principais obstáculos enfrentados pelas equipes de saúde é a inexistência de uma vacina aprovada especificamente para a cepa Bundibugyo. Especialistas estudam o uso emergencial da vacina Ervebo, eficaz contra a variante Zaire, devido a indícios de proteção cruzada observados em pesquisas. A aliança Gavi já mantém 2 mil doses de reserva no país para possíveis testes emergenciais.>
Além da questão científica, a crise financeira preocupa a OMS. Apenas 34% dos recursos solicitados para ações humanitárias no Congo em 2026 foram recebidos até o momento. Representantes da organização citam que cortes em programas internacionais e a saída oficial dos Estados Unidos da OMS em janeiro agravaram a escassez de fundos.>
Em resposta ao avanço da epidemia, a farmacêutica Moderna anunciou uma parceria para desenvolver um imunizante específico contra a variante Bundibugyo. Paralelamente, a BioFire Defense informou a ampliação da produção de testes capazes de detectar múltiplas variantes do vírus, visando agilizar o diagnóstico nas áreas afetadas. Apesar do aumento de casos confirmados, a OMS destacou que centenas de casos suspeitos foram descartados após os pacientes serem diagnosticados com outras doenças febris.>
Texto por Suellen Godinho, com supervisão de Adrielle Brito.>