Conselho de Segurança da ONU decide neste sábado proposta sobre Ormuz

Resolução apresentada pelo Bahrein prevê autorização para medidas defensivas na principal rota global do petróleo, mas enfrenta resistência de China, Rússia e França.

Publicado em 3 de abril de 2026 às 08:33

Conselho de Segurança da ONU decide neste sábado proposta sobre Ormuz
Conselho de Segurança da ONU decide neste sábado proposta sobre Ormuz Crédito: Reprodução/Redes sociais

Em meio ao agravamento da crise no Oriente Médio e aos impactos já sentidos no mercado internacional de energia, o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas deve votar neste sábado (4) uma proposta que pode autorizar o uso de meios militares defensivos para garantir a segurança da navegação comercial no Estreito de Ormuz, uma das passagens marítimas mais estratégicas do mundo. A medida, apresentada pelo Bahrein, surge após semanas de tensão diplomática e enfrenta oposição de países com poder de veto dentro do órgão.

O texto em discussão prevê a liberação de “todos os meios defensivos necessários” para assegurar a passagem de embarcações na região por, pelo menos, seis meses. A proposta ganhou força após o bloqueio do estreito pelo Irã, situação que elevou a preocupação internacional sobre os riscos ao comércio global e ao abastecimento de petróleo.

Apesar da pressão de países do Golfo por uma resposta mais firme, a votação ocorre sob forte impasse diplomático. China, Rússia e França, membros permanentes do conselho e detentores do poder de veto, já sinalizaram resistência a qualquer medida que abra espaço para ação militar na área. A avaliação desses países é de que a autorização pode ampliar ainda mais a escalada do conflito na região.

O principal ponto de divergência está na redação do trecho que permite o uso de força para impedir novas tentativas de bloqueio do estreito. Diplomatas vêm negociando ajustes no texto para tentar viabilizar apoio mínimo à resolução, que precisa de ao menos nove votos favoráveis e não pode ser barrada por veto dos cinco membros permanentes: Estados Unidos, Reino Unido, China, França e Rússia.

O chanceler do Bahrein, Abdullatif bin Rashid Al Zayani, defendeu uma resposta internacional “decisiva”, argumentando que o controle da rota marítima pelo Irã ameaça interesses econômicos globais e compromete a circulação segura de navios comerciais. Segundo ele, a crise também tem atingido estruturas civis, como portos e aeroportos.

A relevância do Estreito de Ormuz para a economia mundial ajuda a explicar a pressão internacional. A passagem é a única saída do Golfo Pérsico para o mar aberto e concentra cerca de 20% de todo o petróleo transportado no planeta, com aproximadamente 20 milhões de barris por dia cruzando a região. Em seu ponto mais estreito, a distância entre uma margem e outra é de cerca de 33 quilômetros.

Desde o fechamento da rota, no fim de fevereiro, os preços do petróleo dispararam no mercado internacional, reacendendo temores sobre inflação, aumento dos combustíveis e impactos na economia global.