Dinamarca rebate Trump na cúpula da Otan e avisa: 'a Groenlândia não está à venda'

Após o presidente americano renovar ameaças de retirar tropas da Europa e cobrar o controle da ilha ártica, primeira-ministra dinamarquesa aciona regras de defesa mútua e defende soberania de seu território.

Publicado em 8 de julho de 2026 às 11:39

Dinamarca rebate Trump na cúpula da Otan e avisa: 'a Groenlândia não está à venda'
Dinamarca rebate Trump na cúpula da Otan e avisa: 'a Groenlândia não está à venda' Crédito: Reprodução/Instagram/@mette

O clima esquentou nos bastidores da cúpula da Otan, em Ancara, na Turquia. Nesta quarta-feira, a primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, mandou um recado direto e sem curvas ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reafirmando que a Groenlândia não é uma mercadoria negociável.

A forte reação da governante ocorreu depois que o líder norte-americano voltou a insistir que Washington deveria assumir o controle do território ártico, ameaçando inclusive retirar os soldados dos EUA estacionados no continente europeu caso não seja atendido.

Diante das câmeras antes de iniciar o segundo dia de reuniões da Aliança Atlântica, Frederiksen fez questão de lembrar que o pacto militar ocidental existe justamente para proteger as fronteiras de cada um de seus integrantes. Ao ser confrontada sobre a disposição de seu país em enfrentar militarmente um eventual avanço sobre a ilha semiautônoma, ela garantiu que o governo dinamarquês está totalmente pronto para resguardar cada palmo de solo da Otan, incluindo a Groenlândia.

Para sustentar sua posição, a primeira-ministra trouxe à mesa o famoso Artigo 5.º do tratado da organização, dispositivo que estabelece o princípio da defesa mútua, em que um ataque a um país membro é considerado uma agressão contra todos. Frederiksen exemplificou que a regra funciona hoje no flanco oriental europeu para dar suporte à Ucrânia, da mesma forma que serviu para socorrer os próprios norte-americanos no pós-11 de Setembro. Ela ressaltou que, se necessário, o mecanismo será aplicado para blindar a integridade territorial dinamarquesa.

O pano de fundo da cúpula, aliás, tem sido marcado por discussões profundas sobre o novo cenário de segurança global. Enquanto Frederiksen defende um rearmamento imediato da Europa para blindar o continente em tempos de instabilidade crescente, outros líderes começam a aceitar uma redistribuição de responsabilidades financeiras na aliança.

O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, comentou que o movimento de redução dos investimentos dos EUA e o consequente aumento de gastos por parte dos europeus e canadenses é um processo natural e apropriado que já vinha sendo desenhado desde gestões anteriores em Washington. Carney também aproveitou o momento para classificar como adequada a recente resposta militar dos Estados Unidos contra alvos no Irã devido ao comportamento instável de Teerã.