Publicado em 17 de março de 2026 às 13:42
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Na manhã desta terça-feira (17), Joe Kent anunciou sua renúncia imediata ao cargo de diretor do Centro Nacional de Antiterrorismo (NCTC). Kent, que havia sido confirmado pelo Senado em julho de 2025 em uma votação partidária estreita, tornou-se o funcionário de mais alto escalão do governo Donald Trump a deixar o posto devido ao conflito armado com o Irã.>
Em uma carta pública nas redes sociais, Kent afirmou que não poderia, "em sã consciência", apoiar a guerra em curso. Segundo o ex-diretor, o Irã não representava uma ameaça iminente à segurança nacional dos Estados Unidos e o conflito teria sido iniciado devido à pressão de oficiais israelenses e de seus grupos de lobby em solo americano. Ele alegou que uma "câmara de eco" de desinformação foi utilizada para enganar o presidente, sugerindo que o caminho para a vitória seria rápido e fácil, uma narrativa que ele descreveu como "mentirosa".>
Joe Kent é um veterano de guerra altamente condecorado, com 11 turnos de combate em seu currículo, tendo servido como oficial de operações especiais no Exército e, posteriormente, na CIA. Sua perspectiva sobre intervenções militares foi endurecida pela tragédia pessoal: sua primeira esposa, Shannon Kent, também oficial de inteligência, foi morta em um ataque suicida na Síria em 2019. Em sua carta de demissão, Kent reiterou que as guerras no Oriente Médio são uma "armadilha" que consome vidas americanas e a prosperidade da nação, defendendo que o foco deveria ser a plataforma "America First" (EUA em primeiro lugar).>
A saída de Kent provocou ondas de choque em Washington, pois desafia diretamente a justificativa oficial do governo para a guerra. Por ter tido acesso aos mais altos níveis de informações classificadas como chefe do NCTC, sua afirmação de que não havia ameaça imediata abala a credibilidade das avaliações de inteligência utilizadas pela Casa Branca.>
O senador Mark Warner, vice-presidente do Comitê de Inteligência do Senado, declarou que, embora discorde de muitas posições passadas de Kent, o ex-diretor está correto ao afirmar que não havia evidências críveis de uma ameaça iminente que justificasse levar o país a uma nova guerra. Warner alertou que decisões baseadas em impulsos ou política, em vez de fatos, colocam a segurança nacional em risco.>
Antes de assumir o NCTC, Kent já era uma figura controversa por suas ligações com grupos de extrema-direita e por contestar os resultados das eleições de 2020. No entanto, sua renúncia agora o coloca no centro de um debate global sobre a politização da inteligência e os custos humanos e financeiros de um novo conflito no Oriente Médio.>
Texto por Suellen Godinho, com supervisão de Cássio Leal.>