Documento do FBI aponta que Trump teria ligado para polícia em 2006 sobre Epstein

A informação consta em um relatório produzido pelo FBI em 2019, baseado em entrevista com o ex-chefe de polícia Michael Reiter

Publicado em 11 de fevereiro de 2026 às 09:54

A informação consta em um relatório produzido pelo FBI em 2019, baseado em entrevista com o ex-chefe de polícia Michael Reiter
A informação consta em um relatório produzido pelo FBI em 2019, baseado em entrevista com o ex-chefe de polícia Michael Reiter Crédito: Reprodução 

Um documento do FBI divulgado recentemente indica que Donald Trump teria telefonado ao então chefe de polícia de Palm Beach, na Flórida, em 2006, para comentar o comportamento de Jeffrey Epstein, que à época estava sendo investigado por abuso sexual de menores.

A informação consta em um relatório produzido pelo FBI em 2019, baseado em entrevista com o ex-chefe de polícia Michael Reiter. No documento, o policial afirma que Trump ligou logo após o início das investigações e teria dito:

“Graças a Deus ele está sendo preso. Todo mundo sabia que ele estava fazendo isso.”

Embora o nome do policial tenha sido omitido no relatório, o documento o identifica como chefe da polícia de Palm Beach no período. Reiter confirmou ao jornal Miami Herald que recebeu a ligação.

Segundo o relato ao FBI, Trump também teria dito que já havia expulsado Epstein do clube Mar-a-Lago e que “as pessoas em Nova York sabiam que ele era repugnante”. O ex-presidente ainda teria mencionado Ghislaine Maxwell como “agente” de Epstein e sugerido que a polícia concentrasse atenção nela.

Maxwell foi condenada em 2021 por recrutar adolescentes para serem abusadas por Epstein e cumpre pena de 20 anos de prisão.

O que isso significa?

O teor da suposta ligação pode gerar questionamentos porque, ao longo dos anos, Trump declarou que não tinha conhecimento das atividades criminosas de Epstein.

Em 2019, quando Epstein foi preso por tráfico sexual, Trump afirmou a jornalistas:

“Não, eu não tinha ideia. Não falo com ele há muitos anos.”

No entanto, segundo o depoimento ao FBI, Trump teria dito em 2006 que “todo mundo sabia” sobre o comportamento do empresário, o que pode indicar que ele tinha conhecimento de suspeitas envolvendo Epstein antes da primeira prisão formal.

Reiter também relatou que Trump disse ter se afastado rapidamente de Epstein ao vê-lo acompanhado de adolescentes.

Resposta da Casa Branca e do Departamento de Justiça

Questionada sobre o assunto, a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que a ligação “pode ou não ter ocorrido” e disse não saber confirmar.

Ela reiterou que Trump sempre declarou ter expulsado Epstein de Mar-a-Lago por considerá-lo “problemático”. Segundo Leavitt, caso a ligação tenha ocorrido, isso apenas reforçaria a versão do presidente de que rompeu relações com Epstein.

Já o Departamento de Justiça declarou à BBC que não tem conhecimento de evidências que confirmem que Trump tenha contatado autoridades na época.

Contexto: investigação e acordo polêmico

Em 2006, a polícia de Palm Beach investigava denúncias de exploração sexual de meninas menores de idade contra Epstein. O caso foi posteriormente encaminhado a promotores federais.

Em 2008, Epstein firmou um acordo controverso que lhe garantiu um termo de não acusação federal, evitando acusações mais graves. O acordo foi amplamente criticado por ser brando.

Epstein voltaria a ser preso em 2019 por tráfico sexual de menores, mas morreu na prisão antes do julgamento.

A relação entre Trump e Epstein

Trump e Epstein frequentavam os mesmos círculos sociais nos anos 1990 e aparecem juntos em diversas fotos da época. Ambos afirmam que romperam relações por volta de 2004.

Segundo Trump, o afastamento ocorreu após Epstein tentar contratar funcionários do Mar-a-Lago. “Eu disse: ‘fora daqui’”, declarou o presidente em julho.

Novo capítulo após depoimento de Maxwell

A divulgação do documento ocorre poucos dias após Ghislaine Maxwell prestar depoimento virtual ao Comitê de Supervisão da Câmara dos EUA.

Ela se recusou a responder perguntas, invocando a Quinta Emenda, direito constitucional de permanecer em silêncio. Seu advogado afirmou que ela estaria disposta a falar caso recebesse clemência presidencial, possibilidade negada por Trump.