Documentos dos EUA revelam que Jeffrey Epstein possuía CPF ativo no Brasil

Registro emitido em 2003 consta como regular na Receita Federal.

Publicado em 13 de fevereiro de 2026 às 08:13

Documentos dos EUA revelam que Jeffrey Epstein possuía CPF ativo no Brasil
Documentos dos EUA revelam que Jeffrey Epstein possuía CPF ativo no Brasil Crédito: Reprodução/Redes sociais

Arquivos tornados públicos recentemente pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos trouxeram à tona um dado inusitado sobre o financista Jeffrey Epstein: ele possuía um CPF registrado no Brasil. A informação aparece em uma relação de documentos reunidos em uma pasta classificada como “arquivos diversos”, vinculada ao processo que investigou o empresário por tráfico sexual de menores.

O cadastro foi identificado inicialmente pelo portal ICL Notícias. O número consta como emitido em 2003, em nome de Epstein, com situação regular junto à Receita Federal. No registro também figura a data de nascimento do bilionário, 20 de janeiro de 1953.

Pelas normas brasileiras, estrangeiros não residentes podem solicitar inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas. O pedido pode ser feito diretamente pelo interessado ou por meio de um representante legal. Questionada sobre o caso, a Receita informou que a possibilidade está prevista na Instrução Normativa 2.172/2024. O órgão acrescentou que eventuais providências relacionadas ao CPF de estrangeiro falecido, como Epstein, só podem ser requeridas por inventariante, cônjuge, companheiro, sucessor legal ou beneficiário de pensão, dependendo da existência de bens no país.

O nome do Brasil já havia surgido em conversas privadas do empresário. Em troca de e-mails datada de outubro de 2011, a investidora alemã Nicole Junkermann questionou Epstein sobre a possibilidade de buscar cidadania brasileira. Ele respondeu que considerava a ideia interessante, mas demonstrou preocupação com eventuais restrições de visto para viagens internacionais. No mesmo dia, ambos teriam se encontrado em um hotel da rede The Ritz-Carlton.

Histórico de acusações

O escândalo envolvendo Epstein ganhou dimensão internacional ao longo dos anos. As primeiras investigações formais começaram em 2005, quando a polícia de Palm Beach, na Flórida, apurou denúncias de abuso sexual contra adolescentes. Entre 2002 e 2005, segundo a acusação, ele teria pago quantias para que meninas comparecessem a seus imóveis e realizassem atos sexuais, além de incentivar que recrutassem outras jovens.

Em 2008, o financista firmou um acordo judicial e cumpriu 13 meses de prisão após se declarar culpado por exploração de menores. A validade desse acordo, porém, foi contestada e considerada ilegal por um juiz federal da Flórida em fevereiro de 2019.

Poucos meses depois, em julho daquele ano, Epstein voltou a ser preso sob novas acusações federais de abuso sexual e de comandar uma rede de exploração. Promotores sustentaram que sua fortuna, estimada em centenas de milhões de dólares, bem como o uso de aeronaves privadas e conexões internacionais, poderiam facilitar uma eventual fuga, defendendo sua permanência na cadeia até julgamento.

De acordo com o governo norte-americano, mais de 250 meninas teriam sido vítimas de exploração sexual. Mulheres também relataram abusos ocorridos em propriedades mantidas por ele em Nova York, na Flórida, no Novo México e em uma ilha particular no Caribe.

Epstein foi encontrado morto em agosto de 2019, em uma prisão de Nova York. A autópsia concluiu que se tratou de suicídio. Dois dias antes, ele havia assinado testamento que estimava seu patrimônio em mais de US$ 577 milhões. Após sua morte, as acusações criminais foram formalmente encerradas, mas autoridades indicaram a possibilidade de responsabilização de outros envolvidos, enquanto representantes das vítimas seguem buscando reparações judiciais.