Publicado em 13 de fevereiro de 2026 às 09:11
O desaparecimento de uma jovem universitária mobilizou familiares, amigos e moradores do Centro-Oeste de Minas até a confirmação de um desfecho trágico. A estudante de Psicologia Vanessa Lara de Oliveira Silva, de 23 anos, foi encontrada morta em uma área de vegetação em Juatuba, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. O principal suspeito, Ítalo Jeferson da Silva, de 43 anos, foi preso pela Polícia Militar de Minas Gerais nesta quinta-feira (12), em Carmo do Cajuru, a cerca de 115 quilômetros da capital.>
Vanessa morava em Pará de Minas e cursava o 7º período de Psicologia. Ela estagiava em Juatuba e fazia o trajeto diariamente de transporte coletivo. O último contato com a família ocorreu na tarde de segunda-feira (09), por volta das 14h. Depois disso, o celular deixou de receber chamadas, o que deu início a uma intensa mobilização nas redes sociais em busca de informações.>
Imagens de câmeras de segurança registraram a jovem deixando a unidade do Sistema Nacional de Emprego (Sine), onde participava de atividades profissionais, e caminhando por ruas da cidade. Em um primeiro momento, ela aparece em uma área movimentada; posteriormente, surge em um trecho com menor circulação de pessoas. Horas depois, já não havia mais notícias sobre seu paradeiro.>
O corpo foi localizado na terça-feira (10), na Rua Santa Cruz, via que dá acesso à BR-262. Dois homens que decidiram auxiliar nas buscas, após verem fotos divulgadas pela família, encontraram primeiro uma peça de roupa feminina suja de barro na vegetação. Em seguida, localizaram o corpo da estudante, nu, e acionaram o 190. A área foi isolada até a chegada da perícia.>
De acordo com os levantamentos iniciais, havia indícios de violência sexual e a causa presumida da morte foi estrangulamento com o cabo de energia do notebook da vítima. A mochila, o computador e o celular de Vanessa foram apreendidos. O corpo foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) e liberado aos familiares na noite de terça-feira. O sepultamento ocorreu na quarta (11), no distrito de Antunes, em Igaratinga.>
A prisão do suspeito ocorreu após buscas da Polícia Militar. Segundo o boletim de ocorrência, familiares de Ítalo informaram que ele teria telefonado confessando o crime e dizendo que estava na região central de Belo Horizonte. Parentes relataram ainda que ele chegou em casa com marcas de barro, arranhões e vestígios de sangue nas roupas, pediu dinheiro à mãe para viajar à capital e afirmou que passaria a viver nas ruas. Ele não resistiu à abordagem e foi levado à delegacia.>
Conforme a polícia, Ítalo possui passagens por tentativa de estupro, roubos e tráfico de drogas, além de cumprir pena em regime semiaberto domiciliar.>
A amiga da família, Aline Gomes, afirmou que Vanessa não conhecia o suspeito e classificou o caso como feminicídio. “Ela estava voltando do trabalho. Morreu porque era mulher”, declarou, manifestando indignação ao mencionar que o investigado já havia sido preso anteriormente por crimes sexuais.>
A dor da família ganhou voz no relato do irmão, Matheus Oliveira, de 31 anos. Ele percorreu mais de 10 quilômetros a pé em Juatuba durante a madrugada, refazendo possíveis trajetos da irmã com ajuda de mapas e da população local. “A pior coisa que já fiz foi reconhecer minha irmã no IML”, desabafou. Segundo ele, os sinais indicam que Vanessa tentou resistir às agressões.>
Descrita por professores e colegas como dedicada, tranquila e empática, Vanessa sonhava em trabalhar ajudando pessoas em sofrimento emocional. Atuou em estágio no Centro de Atenção Psicossocial Infanto-Juvenil (CAPS-IJ) e também auxiliava candidatos em processos seletivos. O coordenador do curso de Psicologia, Éser Pacheco, informou que a turma teve as aulas suspensas temporariamente diante da comoção.>