Doença degenerativa leva professora de Campinas a optar por suicídio assistido na Suíça

Diagnosticada com atrofia muscular progressiva, Célia Maria Cassiano deixou mensagem sobre dignidade, autonomia e o direito de escolha.

Publicado em 17 de abril de 2026 às 09:35

Doença degenerativa leva professora de Campinas a optar por suicídio assistido na Suíça
Doença degenerativa leva professora de Campinas a optar por suicídio assistido na Suíça Crédito: Reprodução/Redes sociais

A professora Célia Maria Cassiano, de Campinas, passou por um procedimento de suicídio assistido nesta quarta-feira (15) na Suíça, após enfrentar a atrofia muscular progressiva (AMP), uma doença degenerativa sem cura que compromete os movimentos e funções vitais do corpo. Antes do procedimento, ela publicou um vídeo de despedida nas redes sociais e afirmou ter vivido “uma vida deliciosa”.

Célia era formada em Ciências Sociais, com mestrado em Multimeios pela Unicamp, e construiu carreira como educadora, atuando em instituições como o Sesc e a Esamc, em Campinas. Nos últimos anos, passou a compartilhar publicamente sua rotina após o diagnóstico, usando as redes sociais para falar sobre o avanço da doença e os impactos no dia a dia.

Com a progressão da AMP, ela passou a relatar dificuldades crescentes de locomoção e dependência total de cuidadores. Em registros publicados ao longo do tratamento, descreveu a sensação de perda gradual da autonomia e o impacto emocional de viver com limitações severas. Em um dos desabafos, afirmou que se sentia “presa dentro do próprio corpo”, sem saber como estaria no dia seguinte.

Além das limitações físicas, ela também relatou a redução da vida social e a necessidade constante de apoio de profissionais de saúde. Atividades simples, como se alimentar ou tomar banho, passaram a depender integralmente de assistência.

Em março, diante da evolução do quadro, Célia elaborou um documento de Diretivas Antecipadas de Vontade, no qual deixou registrado que não desejava ser submetida a procedimentos invasivos para prolongar artificialmente a vida.

Semanas depois, já em abril, ela viajou para a cidade de Zurique, na Suíça, onde passou a compartilhar imagens da viagem e mencionou inicialmente que se tratava de um tratamento experimental. Mais tarde, revelou que a viagem tinha outro objetivo.

Em seu último vídeo, explicou que decidiu pelo suicídio assistido, processo legal no país e realizado com apoio de uma organização especializada. Ela contou que o procedimento foi planejado com antecedência e que estaria acompanhada por profissionais de saúde. “Estou no limite da minha dignidade. Vivi uma vida deliciosa e os últimos dias aqui foram os melhores da minha vida”, disse.

Na mensagem final, Célia deixou um apelo público em defesa da discussão sobre o tema no Brasil. Ela defendeu o direito de escolha para pessoas em situações semelhantes e pediu que o país avance no debate sobre legislação relacionada ao fim da vida.

No Brasil, tanto a eutanásia quanto o suicídio assistido não são permitidos por lei. Já a ortotanásia, que permite a não realização de procedimentos que apenas prolonguem artificialmente a vida em casos terminais, é regulamentada pelo Conselho Federal de Medicina por meio de resolução.

A atrofia muscular progressiva, condição enfrentada por Célia, é uma doença neurodegenerativa que afeta os neurônios motores, provocando perda progressiva de força muscular. Com o avanço, pode comprometer funções essenciais como respiração e deglutição, exigindo cuidados contínuos e multidisciplinares.