Publicado em 21 de outubro de 2026 às 14:32
Nove especialistas independentes em direitos humanos ligados ao Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) cobraram que a Meta, empresa responsável pelo WhatsApp, Instagram e Facebook, investigue se seus sistemas de moderação de conteúdo, recomendação e inteligência artificial (IA) restringiram de forma desproporcional publicações relativas à disputa eleitoral no Brasil.>
Relatos de usuários apontam que a ferramenta de IA integrada ao WhatsApp se recusava a gerar imagens da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), enquanto atendia a solicitações semelhantes envolvendo o candidato Flávio Bolsonaro (PL). O episódio motivou cobranças formais por parte do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ao qual a Meta respondeu ter cumprido as exigências judiciais para assegurar a isonomia entre os concorrentes no segundo turno.>
De acordo com os observadores internacionais, o caso da geração de imagens por inteligência artificial é acompanhado por uma série de outros problemas reportados ao longo do processo eleitoral. Entre os incidentes citados pelos especialistas estão:>
— Interrupções temporárias da conta de campanha de candidatos;>
— Diferenças no engajamento do público, na exibição de feeds, no alcance e na contagem de visualizações;>
— Restrições pontuais a publicações em perfis do Instagram;>
— Divergências na busca de canais de transmissão no WhatsApp, na exibição de Stories e na distribuição geral de conteúdo político.>
Na avaliação dos especialistas da ONU, as plataformas digitais tornaram-se atores centrais no debate público. Por essa razão, a limitação arbitrária de contas ou do alcance de publicações compromete o acesso dos cidadãos à informação, afeta a liberdade de associação e prejudica a própria integridade das eleições.>
"Algoritmos, sistemas de IA e decisões de moderação de conteúdo não devem se tornar árbitros invisíveis da discussão política. Quando a expressão política parecer estar sendo restringida de maneira desproporcional, as plataformas devem explicar o motivo, corrigir impactos desiguais e garantir recursos efetivos", afirmaram os especialistas em nota oficial.>
Os relatores defenderam que a Meta promova uma reavaliação profunda de seus mecanismos de moderação e IA para sanar disparidades, reforçando que eleições livres e justas exigem um ambiente plural e transparente, onde os eleitores possam fiscalizar quem pleiteia o poder sem interferências indevidas dos sistemas tecnológicos.>