Espriella propõe Plano Marshall para reconstruir Chocó após terremoto

Presidente colombiano quer mobilizar recursos para reconstruir uma das regiões mais afetadas pelo terremoto de magnitude 7,4 que atingiu o país

Publicado em 14 de agosto de 2026 às 18:22

Presidente colombiano quer mobilizar recursos para reconstruir uma das regiões mais afetadas pelo terremoto de magnitude 7,4 que atingiu o país
Presidente colombiano quer mobilizar recursos para reconstruir uma das regiões mais afetadas pelo terremoto de magnitude 7,4 que atingiu o país Crédito: Redes Sociais

Nesta sexta-feira (14), o presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella, anunciou a proposta de criação de um plano especial para reconstruir Chocó, departamento no oeste do país fortemente atingido pelo terremoto de magnitude 7,4. A iniciativa foi comparada pelo próprio presidente ao Plano Marshall, programa criado pelos Estados Unidos para financiar a reconstrução da Europa Ocidental após a Segunda Guerra Mundial.

“Quero propor um plano especial, um Plano Marshall para Chocó”, afirmou Espriella durante uma nova visita à região.

Segundo o presidente, Chocó foi historicamente deixado em segundo plano pelo governo central e precisa receber atenção especial durante o processo de reconstrução. “Chocó foi abandonado à própria sorte pelo centralismo do poder em Bogotá, como se não existisse, e quero dar a este departamento de pessoas extraordinárias o lugar que merece na ‘pátria milagrosa’”, declarou.

Espriella voltou a Chocó quatro dias depois da primeira visita para acompanhar de perto os impactos provocados pelo terremoto. Nesta sexta-feira, ele percorreu bairros e centros educacionais atingidos pelo tremor.

O terremoto ocorreu às 7h34, no horário local, da segunda-feira (10), com epicentro próximo a San José del Palmar, em Chocó. O Serviço Geológico Colombiano classificou o tremor como de magnitude 7,4, o mais forte registrado no país na última década.

As operações de busca e resgate chegaram ao quinto dia nesta sexta-feira. Equipes continuam procurando pessoas desaparecidas entre os escombros, mesmo após o período de 72 horas considerado mais favorável para encontrar sobreviventes.

Segundo o balanço mais recente da Unidade Nacional para a Gestão do Risco de Desastres (UNGRD), divulgado na noite de quinta-feira (13), o terremoto deixou 284 mortos, 3.977 feridos e 379 desaparecidos.

Ao todo, 45.523 famílias, correspondentes a 102.263 pessoas, foram afetadas pelo desastre. As equipes de emergência conseguiram resgatar 354 pessoas.

O Plano Marshall foi um programa de ajuda econômica lançado pelos Estados Unidos em 1948 para financiar a reconstrução de países da Europa Ocidental devastados pela Segunda Guerra Mundial.

Oficialmente chamado de European Recovery Program, o programa destinou bilhões de dólares para recuperar a infraestrutura, estimular a produção e reorganizar as economias dos países aliados.

Além da recuperação econômica, a iniciativa tinha um objetivo estratégico: fortalecer os países europeus diante do avanço da influência soviética e ampliar a estabilidade política e econômica na região.

Ao comparar sua proposta com o Plano Marshall, Espriella defende uma mobilização de recursos em grande escala para reconstruir Chocó após o terremoto.

A escolha de Chocó como foco do plano ocorre em uma região que já enfrentava dificuldades estruturais antes do terremoto. O departamento tem histórico de problemas de acesso, infraestrutura precária e presença limitada do Estado em algumas áreas.

Em determinadas comunidades, a falta de estradas adequadas faz com que moradores dependam de deslocamentos por vias marítimas. As condições podem dificultar a chegada das equipes de emergência, o transporte de equipamentos e a distribuição de ajuda humanitária.

A atuação de grupos armados também representa um desafio. Organizações como o Exército de Libertação Nacional (ELN) e o Clã do Golfo mantêm presença na região, e disputas entre esses grupos podem dificultar a circulação de equipes e o atendimento às comunidades atingidas.

A proposta anunciada por Espriella está relacionada a uma das principais bandeiras de seu governo: a descentralização da administração colombiana e a ampliação da atenção do governo central às regiões que, segundo ele, foram historicamente deixadas de lado.