Publicado em 5 de junho de 2026 às 16:49
Nesta sexta-feira (5), entrou em vigor nos Estados Unidos a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras. A decisão amplia o alcance de sanções e investigações contra as duas maiores facções criminosas do Brasil e marca uma mudança na forma como o governo norte-americano trata o crime organizado na América Latina.>
A medida foi adotada pela gestão do presidente Donald Trump e coloca PCC e CV dentro da mesma estrutura legal utilizada pelos Estados Unidos para combater organizações terroristas internacionais, grupos armados e cartéis de drogas com atuação transnacional.>
Segundo documento do Departamento de Estado norte-americano, as facções foram enquadradas na categoria de Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO, na sigla em inglês). O governo dos EUA afirma que os grupos cometeram, tentaram cometer ou representam risco significativo de envolvimento em atos que possam ameaçar a segurança nacional, a política externa, a economia ou cidadãos norte-americanos.>
A nova classificação se soma ao enquadramento anterior das facções como Terroristas Globais Especialmente Designados (SDGT), mecanismo que já permitia a aplicação de sanções financeiras contra integrantes e colaboradores dos grupos.>
Com a entrada em vigor da medida, as autoridades norte-americanas passam a contar com instrumentos legais mais amplos para investigar e responsabilizar pessoas ou empresas que mantenham qualquer tipo de apoio considerado relevante às facções.>
Além do bloqueio de bens e da proibição de transações financeiras envolvendo cidadãos e empresas dos Estados Unidos, a legislação permite a abertura de processos criminais contra quem fornecer apoio material aos grupos.>
Dependendo da situação, esse apoio pode incluir financiamento, transporte, logística, treinamento, assistência operacional ou outros serviços relacionados às atividades das organizações.>
A nova classificação também amplia a atuação de órgãos federais como o FBI e o Departamento de Justiça em investigações ligadas ao PCC e ao Comando Vermelho.>
A decisão norte-americana repercutiu no cenário político brasileiro. O anúncio ocorreu um dia após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmar que havia solicitado ao presidente Donald Trump o enquadramento das facções como organizações terroristas.>
Já o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) manifestou preocupação com possíveis impactos da medida e defendeu o fortalecimento da cooperação internacional no combate ao crime organizado sem a necessidade de classificar facções brasileiras como grupos terroristas.>
Nos bastidores, integrantes do governo avaliam que a mudança pode abrir espaço para formas mais amplas de pressão internacional em temas considerados de competência interna do Brasil.>
Segundo informações atribuídas a fontes do Departamento de Estado, pessoas ou empresas que mantenham relações financeiras ou materiais com integrantes das facções poderão ser alvo de sanções, investigações criminais e até restrições migratórias nos Estados Unidos.>
A medida também aumenta a pressão sobre bancos, corretoras e instituições financeiras de diversos países, que tendem a reforçar mecanismos de controle para evitar qualquer ligação direta ou indireta com os grupos.>
A classificação faz parte de uma estratégia mais ampla adotada por Washington para enfrentar organizações criminosas transnacionais. A política busca aproximar o combate ao narcotráfico e ao crime organizado das ações tradicionalmente utilizadas no enfrentamento ao terrorismo internacional.>
Dentro dessa nova diretriz, temas como tráfico de drogas, segurança regional, migração e organizações criminosas passaram a ocupar papel central nas políticas de segurança nacional dos Estados Unidos para o Hemisfério Ocidental.>