Jornalista tem prisão decretada após não quitar valor de condenação por difamação

Defesa afirma que profissional não possui condições financeiras para pagar a dívida e recorreu da decisão

Publicado em 5 de junho de 2026 às 17:13

Defesa afirma que profissional não possui condições financeiras para pagar a dívida e recorreu da decisão
Defesa afirma que profissional não possui condições financeiras para pagar a dívida e recorreu da decisão Crédito: Reprodução

Nesta quinta-feira (5), veio a público a decisão da Justiça de São Paulo que determinou a prisão em regime aberto do jornalista Luan Araújo por não quitar valores estabelecidos em uma condenação por difamação envolvendo a ex-deputada federal Carla Zambelli. Segundo o processo, a dívida somava R$ 2.216,30 entre multa penal e prestação pecuniária.

A decisão foi assinada pelo juiz José Fernando Steinberg e prevê a conversão da pena restritiva de direitos em pena privativa de liberdade após o não cumprimento da obrigação financeira determinada pela sentença.

Luan Araújo foi condenado por publicar um texto em que fazia críticas à então parlamentar. No conteúdo, ele afirmou que Zambelli fazia parte de uma “extrema direita mesquinha, maldosa e que é mercadora da morte”.

Na decisão, o magistrado destacou que o jornalista foi devidamente intimado, mas não efetuou o pagamento da prestação pecuniária prevista na condenação. Com isso, determinou a conversão da pena conforme previsto no Código Penal.

A defesa de Luan sustenta que ele não possui condições financeiras para arcar com o valor exigido. Segundo o advogado Renan Bohus, foi apresentado à Justiça um pedido de parcelamento da dívida acompanhado de informações sobre a situação econômica do jornalista.

Ainda de acordo com a defesa, a conversão da pena em prisão causa preocupação diante da alegada incapacidade financeira do condenado. Nesta semana, os advogados ingressaram com um pedido de habeas corpus para tentar reverter a decisão.

Em nota, a defesa argumenta que a falta de recursos financeiros não deveria resultar em encarceramento e defende que a execução da pena considere a situação econômica do jornalista e os princípios constitucionais.

O episódio ocorre em meio a outros desdobramentos judiciais relacionados à ex-deputada Carla Zambelli. Ela foi condenada pelo Supremo Tribunal Federal a cinco anos e três meses de prisão, em regime inicial semiaberto, pelos crimes de porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal após perseguir o jornalista armada em uma rua de São Paulo durante o período eleitoral de 2022.

Zambelli também possui outra condenação, de 10 anos de prisão em regime inicial fechado, relacionada à invasão de sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

No ano passado, a ex-parlamentar foi presa em Roma, na Itália, após ter seu nome incluído na lista de procurados da Interpol. Posteriormente, a Justiça italiana anulou o processo de extradição, resultando em sua soltura.