Ex-presidente do Paraguai preso depõe ao Ministério Público após destituição pelo Senado

Detido em casa na noite de sexta-feira logo após perder o mandato e a imunidade política, político de 47 anos responde por supostos crimes financeiros no escândalo do Ueno Bank.

Publicado em 7 de novembro de 2026 às 13:14

Ex-presidente do Paraguai preso depõe ao Ministério Público após destituição pelo Senado
Ex-presidente do Paraguai preso depõe ao Ministério Público após destituição pelo Senado Crédito: Reprodução/Redes sociais

A crise política no Paraguai ganhou contornos ainda mais dramáticos nas primeiras horas deste fim de semana. Preso pela Polícia Nacional em sua residência na capital Assunção na noite de sexta-feira (6), o ex-presidente Santiago Peña compareceu na manhã deste sábado (7) à sede do Ministério Público estadual para prestar depoimento oficial perante as autoridades judiciais.

A detenção ocorreu imediatamente após o Senado paraguaio aprovar, por unanimidade, a cassação do seu mandato presidencial. O avanço do impeachment fez com que o político de 47 anos perdesse a imunidade inerente ao cargo, abrindo caminho para que a Justiça determinasse sua prisão preventiva sob a acusação de envolvimento em esquemas de abuso de confiança e crimes financeiros que abalaram o sistema bancário do país.

As apurações levadas adiante pelo Ministério Público foram motivadas por representações formais protocoladas pela oposição parlamentar. As denúncias apontam suspeitas de enriquecimento ilícito, lavagem de dinheiro, corrupção e fraude administrativa atribuídas ao ex-mandatário.

No centro da tempestade está a relação de Peña com o Ueno Bank. Eleito em 2023, o ex-presidente manteve participação acionária até março de 2025 em uma empresa vinculada ao grupo financeiro. Durante a sua gestão à frente do Poder Executivo, a instituição passou a receber volumosos depósitos de órgãos públicos paraguaios, somando cerca de US$ 850 milhões (aproximadamente R$ 4,5 bilhões). A crise explodiu na última terça-feira (3), quando o Banco Central do Paraguai decretou a liquidação e dissolução do banco por insolvência, deixando milhões de correntistas sem acesso aos recursos.

Antes que o processo de impeachment fosse concluído no Congresso, Peña tentou protocolar sua renúncia oficial na tentativa de amenizar os desdobramentos políticos. A manobra, no entanto, não foi aceita pelos parlamentares, que optaram por dar segmento à votação e destituí-lo formalmente por julgamento político.

Ainda na sexta-feira (6), antes da decisão final do Senado e de sua prisão, o ex-presidente publicou uma mensagem de despedida em suas plataformas digitais. No texto, ele argumentou ter apresentado a renúncia para evitar que sua permanência no governo aprofundasse a divisão social e a instabilidade institucional no Paraguai.