Publicado em 1 de outubro de 2026 às 08:29
A execução de Christa Gail Pike, de 50 anos, foi interrompida na noite desta quarta-feira (30), em Tennessee, nos Estados Unidos, após a aplicação de duas doses do medicamento utilizado na injeção letal. A condenada permaneceu viva e foi retirada da prisão em uma ambulância para receber atendimento médico em um hospital. Até o momento, não foram divulgadas informações oficiais sobre o estado de saúde dela.>
O procedimento ocorreu na 'Riverbend Maximum Security Institution', em Nashville. Segundo os advogados de Pike, ela continuava respirando e apresentava batimentos cardíacos após as aplicações. Testemunhas da imprensa também relataram que era possível ouvir a condenada respirando e roncando durante o procedimento.>
Em comunicado, o Departamento de Correção do Tennessee afirmou que todos os passos previstos no protocolo oficial de execução foram seguidos. O órgão confirmou que Pike foi transportada para uma unidade médica fora da prisão.>
“Os produtos químicos utilizados na injeção letal previstos no protocolo têm sido consistentemente eficazes, e o protocolo não permite procedimentos adicionais além dos que foram realizados nesta noite. Christa Pike foi transportada para uma unidade médica externa”, concluiu o comunicado.>
Governador suspende execuções>
Após a falha, o governador do Tennessee, Bill Lee, determinou uma revisão independente do procedimento e suspendeu as demais execuções previstas no estado até o fim de 2026. A medida ocorre após o caso de Pike e em meio a questionamentos sobre o protocolo utilizado pelas autoridades.>
Um especialista em pena de morte afirmou que se trata de uma falha sem precedentes.>
A situação também foi classificada como um "episódio extraordinário" por especialistas que acompanham a aplicação da pena de morte nos Estados Unidos. O 'Death Penalty Information Center' confirmou que Pike permaneceu viva após receber duas doses do medicamento e foi encaminhada para um hospital.>
Execução foi marcada por disputa judicial>
A execução estava prevista inicialmente para as 10h de quarta-feira (30). Pouco antes do horário programado, porém, o Tribunal de Apelações do 6º Circuito havia determinado a suspensão temporária do procedimento para analisar questões apresentadas pela defesa.>
Horas depois, a Suprema Corte dos Estados Unidos derrubou a suspensão, permitindo que o Tennessee prosseguisse com a execução. A decisão consta no processo oficial da Suprema Corte.>
Crime ocorreu em 1995>
Christa Pike foi condenada à morte pelo assassinato de Colleen Slemmer, de 19 anos, ocorrido em 1995. Pike tinha 18 anos em janeiro de 1995 quando ela, seu namorado de 17 anos,Tadaryl Shipp, e uma terceira pessoa atraíram Slemmer, colega do centro profissional Job Corps de Knoxville, para uma área de mata, onde a torturaram e mataram.>
A condenação levou Pike ao corredor da morte do Tennessee, onde permaneceu por décadas. Caso a execução tivesse sido concluída, ela seria a primeira mulher executada pelo estado em mais de 200 anos.>
A defesa havia questionado anteriormente o protocolo de injeção letal e apresentado argumentos relacionados às condições médicas e ao histórico de traumas de Pike. A Suprema Corte, entretanto, havia rejeitado o pedido de suspensão apresentado pela defesa em 29 de setembro.>
Agora, além da investigação determinada pelo governo do Tennessee, o caso deve voltar a ser analisado judicialmente, principalmente diante da falha no procedimento e das circunstâncias envolvendo a tentativa de execução.>
Texto por Pedro Moraes.>