Foragido da Operação Anomalia, policial penal 'Bonitão' é preso nos Estados Unidos

Luciano de Lima Fagundes Pinheiro foi detido em Orlando pela DEA. Ele é suspeito de integrar esquema para atrasar extradição de traficante internacional.

Publicado em 24 de abril de 2026 às 18:46

(O policial penal Luciano de Lima Fagundes Pinheiro, conhecido como "Bonitão".)
(O policial penal Luciano de Lima Fagundes Pinheiro, conhecido como "Bonitão".) Crédito: Reprodução/Web

A Polícia Federal prendeu, na manhã desta sexta-feira (24), em Orlando, na Flórida (EUA), o policial penal Luciano de Lima Fagundes Pinheiro, conhecido como "Bonitão". Ele estava foragido desde março, quando a PF deflagrou a primeira fase da Operação Anomalia.

A captura foi realizada por agentes da Drug Enforcement Administration (DEA), a agência antidrogas do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, em cooperação com a Superintendência da Polícia Federal no Rio de Janeiro. "Bonitão" estava na lista de Difusão Vermelha da Interpol e agora passará por audiência de custódia na Justiça americana, que decidirá sobre sua situação, incluindo a possibilidade de deportação para o Brasil.

O esquema

As investigações da Operação Anomalia apontam que Luciano integrava um núcleo criminoso suspeito de negociar vantagens indevidas e vender influência para favorecer os interesses de um traficante internacional. O alvo do grupo era Gerel Lusiano Palm, um traficante de Curaçao condenado por homicídio na Holanda e preso no Rio de Janeiro em 2021.

Segundo a Polícia Federal, o plano do grupo era atuar para atrasar ou impedir a extradição de Palm, que permanece no sistema penitenciário do Rio, além de tentar conceder asilo a ele no Brasil. Interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça revelaram que o delegado da PF Fabrizio Romano, também preso na operação, mencionou que Luciano mantinha contato com um "homem de Brasília" para facilitar os esquemas.

Ainda de acordo com as investigações, Luciano teria recebido um adiantamento de R$ 15 mil pela sua atuação, com a promessa de um pagamento adicional de R$ 150 mil, valor que seria pago pela advogada Patrícia Falcão, outra investigada, caso o processo de extradição fosse de fato cancelado.

Quem é 'Bonitão'

Luciano de Lima Fagundes Pinheiro é lotado na Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) do Rio de Janeiro, mas possui um histórico diversificado e controverso.

• Segurança de artistas e jogadores: No início da década de 2010, atuou como segurança de jogadores de futebol, como o atacante Vágner Love, e de artistas, circulando em eventos de alto padrão.

• Assessor parlamentar: Trabalhou como assessor na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) durante a gestão do então presidente André Ceciliano (PT), entre 2018 e 2019, e também foi cedido ao gabinete do deputado federal Dr. Luizinho (PP) em Brasília até fevereiro de 2025.

• Antecedentes criminais: Esta não é sua primeira prisão. Em 2014, foi preso no Complexo da Maré, acusado de ser informante do traficante Marcelo das Dores, o "Menor P", e de fazer a ponte entre ele e Antônio Bonfim Lopes, o "Nem" da Rocinha. Na ocasião, foi condenado por posse ilegal de arma, cumpriu pena e obteve reabilitação criminal na Justiça.

• Conexão com o 'Faraó dos Bitcoins': Em 2021, foi investigado pela corregedoria da Seap por supostamente ter visitado o empresário Glaidson Acácio dos Santos, o "Faraó dos Bitcoins", durante um período de quarentena no presídio.

A Operação Anomalia

A Operação Anomalia é um desdobramento da Força-Tarefa Missão Redentor II e foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Na primeira fase, deflagrada em 9 de março, foram cumpridos mandados de prisão contra 14 pessoas, incluindo agentes públicos de diversas esferas.

Os principais presos na primeira fase foram:

• Fabrizio Romano (delegado da Polícia Federal)

• Alexandre Carracena (ex-secretário de Esportes do RJ)

• Patrícia Falcão (advogada)

Com a prisão de "Bonitão" nos EUA, a força-tarefa encerra a fase de buscas pelo foragido, que agora aguarda os trâmites legais para um possível retorno ao Brasil, onde responderá pelos crimes de organização criminosa, corrupção ativa e passiva, e lavagem de capitais.

Com informações do portal Extra e Metrópoles