Google interrompe ataque hacker com IA que explorava falha em sistema

A empresa afirmou que a vulnerabilidade permitia burlar a autenticação em dois fatores e acessar uma ferramenta de administração de sistemas online, em um caso classificado como exploração “zero-day”

Publicado em 11 de maio de 2026 às 16:43

A empresa afirmou que a vulnerabilidade permitia burlar a autenticação em dois fatores e acessar uma ferramenta de administração de sistemas online, em um caso classificado como exploração “zero-day”
A empresa afirmou que a vulnerabilidade permitia burlar a autenticação em dois fatores e acessar uma ferramenta de administração de sistemas online, em um caso classificado como exploração “zero-day” Crédito: Reprodução

Nesta segunda-feira (11), o Google informou que conseguiu interromper uma tentativa de ataque cibernético conduzida por um grupo criminoso que utilizava inteligência artificial para explorar uma falha digital até então desconhecida em uma empresa. A informação foi divulgada pela Associated Press.

O episódio chama atenção porque reforça um alerta que especialistas em segurança digital vêm fazendo há anos: o uso de IA por hackers para tornar ataques mais rápidos, automatizados e difíceis de detectar.

Segundo John Hultquist, analista-chefe de inteligência de ameaças do Google, esse cenário já deixou de ser teórico. Ele afirmou que a tecnologia já está sendo usada em ataques reais e que a exploração de falhas com apoio de inteligência artificial “já começou”.

A empresa não divulgou a identidade dos responsáveis pelo ataque nem o nome da companhia alvo. O que se sabe é que os criminosos usaram um modelo de linguagem de IA, semelhante aos sistemas de chatbots, para ajudar a identificar a vulnerabilidade no sistema.

Essa falha, segundo o Google, permitia contornar a autenticação em dois fatores, um dos principais mecanismos de segurança digital usados atualmente, e acessar ferramentas administrativas sensíveis.

O ataque foi classificado como um “zero-day exploit”, termo usado quando criminosos exploram uma falha desconhecida pelos desenvolvedores e, portanto, ainda sem correção disponível no momento da invasão.

De acordo com a empresa, após identificar a tentativa, foram feitos alertas à companhia afetada e às autoridades policiais. A operação foi interrompida antes que qualquer dano fosse registrado.

O Google também afirmou que não há indícios de envolvimento de governos, embora já existam suspeitas e registros de interesse de grupos ligados a países como China e Coreia do Norte em técnicas semelhantes.

O caso ocorre em um momento de rápida evolução das ferramentas de inteligência artificial aplicadas à segurança cibernética. Empresas de tecnologia vêm ampliando o uso dessas soluções tanto para ataques simulados quanto para defesa digital.

Especialistas ouvidos pela Associated Press destacam que, apesar do potencial da IA para fortalecer a segurança no longo prazo, o cenário atual ainda representa risco elevado. Isso porque há milhões de sistemas vulneráveis em operação no mundo, o que amplia a superfície de ataque.

Para esses analistas, o período de transição entre o avanço da tecnologia e a adaptação das defesas pode ser marcado por um aumento de ataques mais sofisticados, exigindo maior cooperação entre empresas e governos para reduzir riscos.