Hezbollah assume ataques contra Israel e amplia risco de confronto regional

Troca de ameaças envolve Irã, Estados Unidos e países vizinhos e coloca fim a meses de relativa trégua na fronteira norte israelense.

Publicado em 2 de março de 2026 às 08:17

Hezbollah assume ataques contra Israel e amplia risco de confronto regional
Hezbollah assume ataques contra Israel e amplia risco de confronto regional Crédito: Reprodução/Redes sociais

O clima de tensão voltou a dominar a fronteira entre Israel e Líbano nesta segunda-feira, quando o Hezbollah reivindicou ataques contra o território israelense. A resposta veio rapidamente: as Forças de Defesa de Israel anunciaram bombardeios contra posições do grupo no Líbano, reacendendo o temor de um conflito mais amplo na região.

De acordo com os militares israelenses, um dos projéteis disparados a partir do território libanês foi interceptado. Outros atingiram áreas abertas, mas, segundo o Exército, não houve registro de vítimas ou danos significativos. Ainda assim, o governo de Israel classificou a ação como uma escalada direta e prometeu reação firme.

Em comunicado oficial, as Forças de Defesa de Israel afirmaram que o Hezbollah age alinhado ao regime iraniano e que não permitirão que o grupo ameace a população do norte do país. Os militares destacaram-se já preparados para esse tipo de cenário desde o início da ofensiva lançada no sábado contra o Irã.

O ataque marca o primeiro lançamento de foguetes do Hezbollah desde novembro de 2024, quando entrou em vigor um cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos entre as partes. A nova ofensiva, no entanto, acontece em um contexto muito mais amplo de tensão.

No sábado, Estados Unidos e Israel iniciaram uma série de ataques contra o Irã, em meio a impasses relacionados ao programa nuclear iraniano. A ação provocou reação imediata de Teerã, que passou a ameaçar países do Oriente Médio que abrigam bases militares norte-americanas, como Emirados Árabes Unidos, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia e Iraque.

No domingo, a mídia estatal iraniana anunciou a morte do líder supremo, Ali Khamenei, atribuída aos bombardeios. Após a divulgação, autoridades iranianas elevaram o tom. O presidente Masoud Pezeshkian declarou que retaliar os ataques é um “direito e dever legítimo” do país e prometeu uma resposta histórica.

O Hezbollah, aliado de Teerã, já havia sinalizado que não ficaria de fora do confronto e que reagiria à morte do aiatolá. A movimentação reforça o risco de que o conflito deixe de ser localizado e se transforme em um embate regional envolvendo múltiplos atores.

Do lado americano, o presidente Donald Trump também adotou discurso duro. Ele advertiu o Irã a não avançar com retaliações e afirmou que, caso isso ocorra, a resposta dos Estados Unidos será com força “nunca antes vista”. Trump já havia declarado anteriormente que os ataques continuarão pelo tempo que for considerado necessário para alcançar o que chamou de paz no Oriente Médio.

Com ataques cruzados, ameaças públicas e alianças sendo testadas, o cenário permanece instável. O temor agora é que novos episódios ampliem ainda mais a crise e arrastem outros países para um conflito de proporções imprevisíveis.