Irã fecha Estreito de Ormuz e diz que incendiará navios que tentarem atravessar a rota

Comunicado foi feito pela Guarda Revolucionária após a morte do líder supremo iraniano; via marítima concentra cerca de 20% do fluxo global de petróleo

Publicado em 2 de março de 2026 às 18:39

(Estreito de Ormuz)
(Estreito de Ormuz) Crédito: Redes Sociais/X 

O governo do Irã anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz e afirmou que qualquer embarcação que tentar atravessar a rota será incendiada. A declaração foi feita nesta segunda-feira (2), pelo comandante da Guarda Revolucionária, como retaliação aos ataques militares dos Estados Unidos e de Israel contra Teerã.

A medida ocorre após o assassinato do líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, morto durante bombardeios realizados no último sábado (28). Segundo a Sociedade do Crescente Vermelho iraniana, ao menos 550 pessoas morreram nas ofensivas que atingiram mais de 130 cidades do país.

Considerado uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo, o Estreito de Ormuz liga o Golfo Pérsico ao Oceano Índico e é responsável por cerca de 20% de todo o petróleo comercializado globalmente. Pela via passam diariamente milhões de barris exportados por países como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Iraque e o próprio Irã, que controla a porção norte da passagem.

O bloqueio já provoca impactos nos mercados internacionais. O preço do barril de petróleo registrou alta de 10% desde o anúncio do fechamento e chegou a US$ 80. Analistas não descartam que a cotação possa alcançar os US$ 100 caso a escalada militar continue.

A tensão também se espalhou para outros países da região. No domingo (1º), o grupo libanês Hezbollah realizou ataques contra uma base militar em Haifa, no norte de Israel, em apoio ao Irã. Em território israelense, nove pessoas morreram e cerca de 20 ficaram feridas.

Os Estados Unidos confirmaram ainda a morte de seis militares norte-americanos, três deles durante um ataque ao porta-aviões USS Abraham Lincoln, no Golfo Pérsico. Em pronunciamento, o presidente norte-americano afirmou que novas baixas podem ocorrer e prometeu retaliação.

O agravamento do conflito já afeta diretamente ao menos 11 países e amplia o temor de uma guerra regional de grandes proporções, com reflexos imediatos na economia global e no abastecimento energético.