Jornalista libanesa morre após sete horas à espera de socorro bloqueado

Amal Khalil conseguiu ligar para a família e para o exército pedindo ajuda antes de sucumbir.

Publicado em 24 de abril de 2026 às 10:45

Jornalista libanesa morre após sete horas à espera de socorro bloqueado
Jornalista libanesa morre após sete horas à espera de socorro bloqueado Crédito: Reprodução/Redes sociais

O silêncio forçado da jornalista Amal Khalil, morta na última quarta-feira (22) no sul do Líbano, não foi imediato. Após um bombardeio atingir o prédio onde se abrigava em Tayri, ela sobreviveu ao impacto inicial, mas enfrentou uma agonia de sete horas sob os destroços. Mesmo ferida e soterrada, Amal utilizou seus últimos momentos para pedir socorro à família e aos militares libaneses, em um caso que agora gera revolta internacional e denúncias de violações graves aos direitos humanos.

Amal Khalil era profissional do jornal Al Akhbar e estava na linha de frente cobrindo os conflitos na região quando o edifício foi alvo de um ataque aéreo. Segundo o Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ), por volta das 16h locais, sua voz ainda era ouvida. Ela conseguiu fazer contato externo, confirmando que estava viva debaixo do entulho.

A tragédia, no entanto, ganha contornos de crueldade pela demora no acesso ao local. A Cruz Vermelha relatou que foi impedida de chegar ao prédio atingido por cerca de sete horas. Quando as equipes de resgate finalmente tiveram o caminho livre, Amal já estava sem vida. Para Sara Qudah, diretora regional do CPJ, essa obstrução deliberada dos esforços de salvamento pode ser classificada como um crime de guerra.

O episódio provocou uma reação imediata do governo libanês. O primeiro-ministro do país acusou Israel diretamente de cometer atrocidades e de visar profissionais da comunicação. No mesmo incidente, outro jornalista ficou gravemente ferido e permanece sob cuidados médicos intensivos.

Do outro lado, as Forças de Defesa de Israel (IDF) admitiram que jornalistas foram atingidos durante a operação, mas negaram que eles fossem o alvo. Em comunicado, o exército israelense afirmou que atua para "mitigar danos" a civis e negou ter bloqueado o acesso das equipes de emergência à área bombardeada, informando que os detalhes do caso ainda estão sendo revisados internamente.

A morte de Amal Khalil reforça o perigo extremo enfrentado por quem tenta relatar os horários da guerra no Oriente Médio. O sul do Líbano tornou-se uma zona de bombardeios constantes, onde a linha entre combatentes e civis parece cada vez mais tênue. Enquanto as investigações independentes tentam confirmar quem impediu o resgate da jornalista, o nome de Amal entra para a triste estatística de profissionais que perderam a vida tentando garantir que o mundo soubesse o que acontece sob as bombas.