Morre aos 74 anos Hamad bin Khalifa Al-Thani, ex-emir que que governou o Catar por 18 anos

Líder comandou o país e impulsionou a economia com o gás natural, fortaleceu a influência internacional do emirado

Publicado em 12 de julho de 2026 às 15:13

Morre aos 74 anos Hamad bin Khalifa Al-Thani, ex-emir que que governou o Catar por 18 anos
Morre aos 74 anos Hamad bin Khalifa Al-Thani, ex-emir que que governou o Catar por 18 anos Crédito: Governo do Catar/Divulgação

O ex-emir do Catar, Sheikh Hamad bin Khalifa Al-Thani, morreu neste domingo (12), aos 74 anos. A informação foi confirmada pelo Amiri Diwan, órgão oficial do governo catariano. A causa da morte não foi divulgada.

Hamad bin Khalifa governou o país entre 1995 e 2013, período em que promoveu profundas mudanças econômicas, políticas e diplomáticas que transformaram o pequeno emirado em um dos protagonistas do cenário internacional. Em 2013, surpreendeu ao abdicar do cargo e transferir o comando do país ao filho, o atual emir Tamim bin Hamad Al-Thani, em uma sucessão considerada incomum entre as monarquias do Golfo.

Durante sua gestão, o Catar consolidou sua posição como um dos maiores exportadores mundiais de gás natural liquefeito (GNL), impulsionando uma economia baseada na exploração das vastas reservas energéticas do país. O crescimento da receita permitiu investimentos em infraestrutura, modernização urbana e expansão da presença catariana no exterior.

Outro marco de seu governo foi a criação da emissora Al Jazeera, que ampliou a influência política e midiática do Catar no Oriente Médio e colocou o país em destaque no debate internacional.

Foi também sob sua liderança que o Catar conquistou o direito de sediar a Copa do Mundo de 2022. A preparação para o torneio desencadeou uma série de grandes obras, especialmente na capital Doha, incluindo novas rodovias, sistemas de transporte e instalações esportivas.

Na política externa, Hamad bin Khalifa adotou uma estratégia de diálogo com diferentes atores internacionais, mantendo relações tanto com os Estados Unidos quanto com o Irã, além de atuar como mediador em negociações envolvendo conflitos no Oriente Médio e na África. Esse posicionamento ajudou a consolidar o papel do Catar como interlocutor em crises regionais.

Ao mesmo tempo, sua atuação durante a Primavera Árabe, em 2011, gerou controvérsias. O apoio do Catar a movimentos políticos e grupos islâmicos foi alvo de críticas de países vizinhos, como Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, que viam essas ações como uma ameaça ao equilíbrio da região.

A chegada de Hamad ao poder também marcou uma ruptura na história do país. Em 1995, ele assumiu o governo após depor o próprio pai em um golpe sem derramamento de sangue. Um ano depois, enfrentou uma tentativa de contragolpe, mas permaneceu no comando até decidir deixar voluntariamente o cargo.

Ao longo de seu governo, contou com a atuação de sua esposa, Sheikha Moza bint Nasser, que ganhou projeção internacional por liderar projetos voltados à educação, pesquisa e desenvolvimento social, reforçando a agenda de modernização do Catar.

A morte de Hamad bin Khalifa encerra a trajetória de um dos líderes mais influentes da história contemporânea do Oriente Médio, responsável por conduzir o Catar de um pequeno Estado do Golfo a uma potência econômica e diplomática de alcance global.