Nanotecnologia se mostra eficaz no tratamento do Alzheimer, dizem pesquisadores

Terapia experimental restaura a proteção do cérebro e devolve a memória a animais em estágio avançado da doença.

Publicado em 23 de janeiro de 2026 às 10:57

Nanotecnologia se mostra eficaz no tratamento do Alzheimer, dizem pesquisadores
Nanotecnologia se mostra eficaz no tratamento do Alzheimer, dizem pesquisadores Crédito: Reprodução/Redes sociais

Uma estratégia inovadora baseada em nanotecnologia pode representar um divisor de águas no combate ao Alzheimer. Pesquisadores europeus e asiáticos anunciaram resultados positivos de uma terapia experimental que conseguiu reverter déficits de memória e cognição em modelos animais, mesmo quando a doença já estava em fase avançada.

O estudo foi conduzido por cientistas do Instituto de Bioengenharia da Catalunha (IBEC), em colaboração com centros de pesquisa do Reino Unido e da China. A proposta foge dos tratamentos tradicionais ao não focar diretamente em medicamentos, mas na recuperação das defesas naturais do cérebro.

A chave do experimento está na utilização de nanopartículas desenvolvidas para atuar diretamente na barreira hematoencefálica, estrutura responsável por regular a entrada e saída de substâncias no cérebro. Quando essa barreira perde eficiência, ocorre o acúmulo de proteínas tóxicas associadas ao Alzheimer, como a amiloide-beta, que prejudicam a comunicação entre os neurônios.

Diferente das abordagens convencionais, as nanopartículas não transportam fármacos. Elas funcionam como agentes ativos que estimulam o próprio cérebro a retomar seus mecanismos de limpeza. Ao restaurar a integridade da barreira cerebral, o organismo volta a eliminar naturalmente as substâncias nocivas.

Os resultados observados em laboratório chamaram a atenção da comunidade científica. Após apenas três aplicações do tratamento, os níveis da proteína associada à doença foram reduzidos em até 60% em curto intervalo de tempo. Além disso, os animais passaram a apresentar comportamentos compatíveis com os de indivíduos saudáveis e mais jovens, indicando recuperação significativa das funções cognitivas.

Para o pesquisador Giuseppe Battaglia, que lidera o estudo no IBEC, a técnica age como uma espécie de “reativador biológico”. Segundo ele, ao restabelecer a estrutura vascular do cérebro, os processos naturais voltam a funcionar, permitindo o equilíbrio do ambiente neural e a recuperação da memória.

A precisão do método também é apontada como um dos grandes diferenciais da pesquisa. As nanopartículas foram projetadas para interagir de forma seletiva com células cerebrais e vasos sanguíneos, interrompendo a progressão da doença ao atacar um de seus principais gatilhos: a falha na proteção cerebral.

A pesquisadora Lorena Ruiz Pérez, integrante da equipe e professora da Universidade de Barcelona, destaca que a rápida restauração da barreira hematoencefálica foi decisiva para a reversão dos sinais da patologia observados nos testes.

Apesar do avanço, os cientistas reforçam que a terapia ainda está em fase experimental e restrita a modelos animais. Novas etapas serão necessárias antes de qualquer aplicação em humanos. Ainda assim, os dados reforçam a possibilidade de uma mudança de paradigma no tratamento do Alzheimer, ao focar na origem do problema e não apenas em seus sintomas.