Publicado em 29 de agosto de 2026 às 14:13
O governo do Nepal voltou atrás em sua decisão e passou a aceitar a ajuda de equipes da comunidade internacional para reforçar os trabalhos de busca e salvamento após as enchentes provocadas pelo colapso de uma geleira na região do Himalaia. A mudança de posicionamento das autoridades nepalesas ocorreu apenas algumas horas após declararem que conseguiriam conduzir os resgates de forma independente.>
Na sexta-feira (28), o Ministério das Relações Exteriores do Nepal havia informado que o país necessitava apenas de apoio técnico especializado para ações específicas, como exames de DNA e resgates em túneis, dispensando ajuda externa para as operações gerais de socorro. Contudo, o governo revisou sua postura. Equipes especializadas da Índia já atuam na região afetada, e um grupo enviado pela China é aguardado pelas autoridades.>
O balanço oficial mais recente divulgado neste sábado (29) confirma a morte de 676 pessoas, sendo 669 registros no Nepal e sete no Tibete chinês. Cerca de 3 mil pessoas continuam desaparecidas na região de fronteira, englobando moradores locais, turistas, peregrinos e trabalhadores de usinas hidrelétricas. Do total de desaparecidos, pelo menos 540 são estrangeiros.>
O desastre começou na quarta-feira (26), quando o colapso de uma geleira despejou grandes volumes de gelo, lama, pedras e detritos sobre rios locais. A força da água destruiu vilarejos, estradas, pontes, escolas, hospitais e usinas de energia.>
As buscas haviam sido temporariamente suspensas em razão de fortes chuvas e nevoeiros, mas foram retomadas neste sábado após a melhora nas condições meteorológicas. As ações de resgate concentram-se na remoção de moradores isolados e no esforço para alcançar o túnel de uma usina hidrelétrica onde cerca de 100 pessoas continuam presas.>
Em pontos como a cidade de Bidur, sobreviventes aguardam transporte por helicópteros militares para deixar a região. Paralelamente, especialistas monitoram o nível de dois lagos que se formaram após o deslizamento da geleira, visando evitar o risco de novas inundações.>
Devido ao estado de decomposição de parte das vítimas localizadas, a administração do distrito de Chitwan determinou que as amostras de DNA sejam coletadas antes dos sepultamentos para possibilitar o reconhecimento futuro por familiares e mitigar riscos sanitários. Em Katmandu, parentes buscam por informações de desaparecidos em fotografias fixadas nos muros de unidades médicas.>
Em termos econômicos, o ministro das Finanças do Nepal, Swarnim Wagle, estima que o custo financeiro para a reconstrução da infraestrutura destruída deve atingir entre US$ 4 bilhões e US$ 5 bilhões (aproximadamente R$ 20,8 bilhões a R$ 26 bilhões na conversão atual). Para auxiliar no processo, a Índia enviou 60 toneladas de suprimentos humanitários e ofereceu pontes pré-fabricadas para ajudar a restabelecer os acessos terrestres.>
Com informações do g1.>
Texto por Suellen Godinho, com supervisão de Danielle Zuquim.>