Netanyahu rejeita plano de Trump para Gaza e condiciona retirada ao Hamas

Primeiro-ministro de Israel disse que tropas não deixarão o território até que o grupo esteja totalmente desarmado

Publicado em 9 de agosto de 2026 às 17:37

Primeiro-ministro de Israel disse que tropas não deixarão o território até que o grupo esteja totalmente desarmado
Primeiro-ministro de Israel disse que tropas não deixarão o território até que o grupo esteja totalmente desarmado Crédito: Reprodução

Neste domingo (9), o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, rejeitou a mais recente proposta dos Estados Unidos para a Faixa de Gaza e afirmou que as tropas israelenses não deixarão o território palestino até que o Hamas esteja “verdadeiramente desarmado”. A decisão representa um obstáculo para o avanço da segunda fase do plano de paz elaborado pelo governo de Donald Trump.

A declaração foi feita durante uma reunião do gabinete israelense. Segundo Netanyahu, Israel não aceita o documento de 15 pontos apresentado no fim de julho pelo chamado Conselho de Paz de Trump, mesmo após o Hamas ter concordado com a proposta.

“Israel rejeita o documento de 15 pontos”, afirmou o primeiro-ministro, segundo a agência de notícias AFP. Na sequência, Netanyahu reforçou que o Exército israelense “não fará nenhuma retirada” de Gaza enquanto o Hamas não for desarmado.

O roteiro apresentado pelo governo americano prevê medidas para avançar na estabilização e na reconstrução da Faixa de Gaza. O desarmamento do Hamas, porém, continua sendo um dos principais pontos de divergência entre Israel e o grupo palestino.

Na semana passada, Trump afirmou que o chamado Conselho de Paz havia chegado a um acordo com o Hamas sobre o desarmamento do grupo. Segundo o presidente americano, o entendimento poderia abrir caminho para a continuidade do processo de paz.

A posição de Netanyahu, no entanto, mostra que o governo israelense considera insuficientes os termos atualmente apresentados e mantém como condição para uma retirada militar o desarmamento do Hamas.

Durante a mesma reunião, Netanyahu afirmou que Israel continuará trabalhando para impedir que o Irã obtenha armas nucleares, independentemente do andamento das negociações entre Teerã e Washington.

“Quero enfatizar mais uma vez: com ou sem acordo, enquanto eu for primeiro-ministro, o Irã não terá armas nucleares”, declarou.

A fala ocorre em meio ao aumento das tensões envolvendo Israel, Estados Unidos e Irã. Neste domingo, Teerã afirmou que um acordo com Omã para estabelecer novas rotas de navegação no Estreito de Ormuz está nos “estágios finais”, mas condicionou a reabertura da passagem ao cumprimento de outras exigências por parte dos Estados Unidos.

O Estreito de Ormuz é uma das principais rotas para o transporte mundial de petróleo e gás natural liquefeito. Antes do bloqueio promovido pelo Irã em resposta aos ataques americanos e israelenses, cerca de um quinto das remessas globais desses produtos passava pela região.

O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, afirmou que Teerã também exige compensações dos Estados Unidos pelos ataques sofridos, além do fim de ameaças e sanções contra o país.

As tensões também atingiram a Península Arábica. Os houthis, grupo aliado do Irã no Iêmen, reivindicaram um ataque contra uma refinaria da Saudi Aramco, em Jazan, na Arábia Saudita, segundo a Reuters.

O Ministério da Energia saudita confirmou que houve um incêndio na instalação. O fogo foi controlado posteriormente, mas as autoridades não informaram o que provocou as chamas.