ONU aprova resolução pelo fim do embargo dos EUA a Cuba, mas apoio internacional diminui

Proposta obteve 130 votos favoráveis, 17 contrários e 25 abstenções; resultado reflete redução do apoio à iniciativa em comparação com anos anteriores.

Publicado em 28 de outubro de 2026 às 20:16

(Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU)
(Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) Crédito: Reprodução/X 

A Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou nesta quarta-feira (28) uma resolução que pede o fim do embargo econômico imposto pelos Estados Unidos a Cuba. A proposta recebeu 130 votos favoráveis, 17 contrários e 25 abstenções, incluindo o apoio do Brasil.

Embora tenha sido aprovada, a resolução registrou uma queda no número de países favoráveis em relação a votações anteriores. O resultado ocorre em meio a uma ofensiva diplomática do governo norte-americano para diminuir o apoio internacional à iniciativa.

Menos países apoiam a resolução

A votação deste ano demonstra uma mudança no posicionamento de parte da comunidade internacional. Em 2025, a proposta havia recebido 165 votos favoráveis, sete contrários e 12 abstenções.

Entre os países que optaram pela abstenção nesta edição estão Alemanha e Itália, que anteriormente haviam apoiado a resolução. A mudança ocorreu em um contexto de pressão diplomática dos Estados Unidos para alterar o resultado da votação.

Apesar da redução, a maioria dos países participantes continuou defendendo o fim das restrições econômicas contra a ilha caribenha.

Brasil vota a favor

O Brasil manteve seu posicionamento favorável à resolução e acompanhou os países que defendem a suspensão do embargo. A posição brasileira está alinhada à defesa do multilateralismo e à oposição a medidas econômicas unilaterais que possam afetar a população civil.

O país teve uma posição diferente durante o governo de Jair Bolsonaro. Em 2019, votou contra a resolução e, em 2021 e 2022, optou pela abstenção.

Restrições afetam a economia cubana

O embargo dos Estados Unidos contra Cuba começou em 1960, após a Revolução Cubana, e foi ampliado ao longo das décadas por meio de diferentes medidas legais e administrativas.

Atualmente, Cuba enfrenta dificuldades econômicas, com problemas no abastecimento de combustíveis, interrupções no fornecimento de energia elétrica e escassez de medicamentos e produtos básicos.

O governo cubano considera o embargo um dos principais fatores responsáveis pela crise econômica do país. Os Estados Unidos, por sua vez, defendem a manutenção das sanções como forma de pressionar o governo da ilha.

Aprovação não encerra as sanções

A resolução aprovada pela Assembleia Geral da ONU tem caráter político e diplomático, mas não obriga os Estados Unidos a suspender o embargo. A eventual revogação das restrições depende de decisões das autoridades norte-americanas, especialmente do Congresso.

Com isso, a votação reafirma a posição majoritária dos países favoráveis ao fim das sanções, mas não altera automaticamente a política econômica adotada por Washington em relação a Cuba.

Com informações da Agência Brasil e Reuters