Publicado em 30 de julho de 2026 às 17:44
O governo do Paraguai convocou o embaixador do Brasil em Assunção, nesta quinta-feira (30), para a entrega de uma nota oficial referente às recentes declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a Guerra da Tríplice Aliança. A crise diplomática foi desencadeada por um discurso proferido por Lula no dia 24 de julho, em Jacareí (SP), no qual o mandatário relembrou o conflito histórico ao defender investimentos na área de defesa. Na ocasião, Lula afirmou que, embora o Brasil aprecie a paz, não poderia esquecer que o Paraguai invadiu o Brasil, a Argentina e o Uruguai no século 19.>
O anúncio da convocação foi feito pelo chanceler paraguaio, Rubén Ramírez Lezcano, que classificou o episódio como "sensível" para a história de sua nação. Lezcano afirmou que o governo de Santiago Peña defenderá a "dignidade" e os interesses do Paraguai, ressaltando que tal postura não é negociável. Diante da escalada da tensão, os presidentes dos dois países chegaram a conversar por telefone sobre o tema. Na diplomacia, o ato de convocar um embaixador é utilizado para sinalizar formalmente a insatisfação de um Estado com outro.>
A reação paraguaia também ecoou no Poder Legislativo, onde a Câmara dos Deputados emitiu um repúdio formal às falas do presidente brasileiro na última quarta-feira (29). Segundo o documento oficial, as afirmações de Lula "distorcem e minimizam" a dimensão do conflito, demonstrando desconhecimento sobre o profundo sofrimento humano suportado pelo povo paraguaio e as consequências devastadoras geradas pela guerra. Os parlamentares destacaram que atribuir a culpa do conflito ao país vizinho provoca rejeição em diversos setores da sociedade paraguaia.>
Considerada a maior disputa armada da história da América do Sul, a Guerra da Tríplice Aliança teve como estopim a intervenção militar brasileira no Uruguai em 1864, levando o líder Francisco Solano López a declarar guerra ao Brasil. Como resultado dos cinco anos de combate, o Paraguai teve sua infraestrutura devastada, perdeu parte de seu território e enfrentou uma grave crise demográfica, cujas sequelas persistem até a atualidade. O governo paraguaio sustenta que abordou a questão ao mais alto nível desde o início para garantir o respeito à história do país.>
Texto por Suellen Godinho, com supervisão de Adrielle Brito.>